O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços (MDIC) informou, nesta quinta-feira (6), um volume total de exportações de US$ 31,97 bilhões em outubro, com saldo positivo de US$ 6,96 bilhões na balança comercial. Este foi o terceiro mês que o Brasil conseguiu manter o crescimento das vendas para o exterior, mesmo com as tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos em agosto. Em comparação com outubro de 2024, o aumento nas exportações é 9,1%. Já em setembro, o crescimento foi de 7,2% e, em agosto, de 3,9%, com referência aos valores do ano passado.
No acumulado no ano, ou seja, de janeiro a outubro, as exportações totalizam US$ 289,73 bilhões, anunciado como recorde pela Secretaria de Comércio Exterior do MDIC (Secex). O montante representa um um aumento de 1,9% em relação ao mesmo período de 2024. A variação ocorreu pela elevação no volume comercializado, de 4,3%, enquanto a média dos preços dos produtos vendidos caiu 2,1%.
Para os próximos meses, a projeção é de retração nas exportações em relação ao mês de outubro, mas de manutenção de índices positivos quanto ao ano anterior. A previsão da pasta é de crescimento das exportações de 2,3% no fechamento do ano.
Destino das exportações
Em outubro, a China foi o principal destino das exportações brasileiras, com participação de cerca de 29% do valor total. Em relação ao mês de setembro, as vendas para o país aumentaram em 33%. A Argentina e a União Europeia foram outros compradores que ampliaram a importação de produtos brasileiros em outubro, com aumento de 5,8%,com 4,5%, respectivamente.
Já para os Estados Unidos, a retração nas exportações em outubro foi de 37,9%. Em setembro, o recuo havia sido de 20,3% e, em agosto, primeiro mês do tarifaço, de 16,5%, Considerando o acumulado do ano, de janeiro a outubro, as vendas para o país caíram 4,5%, sempre em comparação com os dados dos períodos relativos em 2024. Na última reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump, os governos voltaram a tratar das tarifas comerciais.
Tarifaço impacta exportações para os EUA; presidentes se encontraram para tratar do assunto na Malásia
“A trajetória das exportações é decrescente com os Estados Unidos. Nós temos observado taxas de variação negativas cada vez maiores”, afirmou o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira.
Diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, apresentou dados de exportação e importação do mês de outubro
Participação dos produtos na balança comercial
O café, um dos principais itens na relação comercial com os Estados Unidos, apresentou queda de 19% no volume de exportação de janeiro a outubro. Os preços, porém, dispararam e cresceram em 63%, proporcionando um aumento na participação do produto na balança comercial brasileira, que chegou a 4,1%. Outro item que foi afetado pelo tarifaço é a carne bovina, porém o produto não apresentou redução no volume comercializado neste ano. Com aumento de preço e de quantidade 19%, as exportações de carne bovina cresceram 37,7% em 2025.
Por outro lado, as vendas de açúcares e melaços recuaram 24%, com queda nos preços e na quantidade exportada. A celulose também teve retração, de 3,5%, redução de 15,2% nos preços, mas com aumento do volume de exportações em 13,8%.
“Possivelmente não é um somente um efeito direto das tarifas sobre produtos brasileiros que faz com que a redução aconteça porque temos produtos que não foram tarifados caindo na exportação. Além de diminuir a competitividade dos produtos brasileiros, há uma menor demanda dos Estados Unidos em geral por conta dos choques tarifários”, comentou Herlon Brandão, ao citar também a queda nas exportações de combustíveis.
Palavras-chavenas exportações de combustíveis





