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 Dez minutos para doar, três vidas para salvar Saúde

Dez minutos para doar, três vidas para salvar

01-10-2026 • há 14 horas

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Dez minutos. É aproximadamente esse o tempo necessário para uma doação que pode fazer diferença na vida de pelo menos três pessoas. Em alguns casos, uma única bolsa pode beneficiar ainda mais pacientes.

Em Santa Catarina, onde são coletadas diariamente entre 450 e 550 bolsas de sangue, manter esse fluxo é fundamental para garantir o atendimento de hospitais em todas as regiões do estado.

Nesta semana o painel do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) apontava estoques reduzidos de A negativo, A positivo e B negativo.

O tipo O negativo e o O positivo apareciam em nível de alerta. B positivo e AB positivo estavam adequados, enquanto AB negativo apresentava situação estável.

Apesar da atenção necessária para alguns tipos sanguíneos, o diretor técnico do Hemosc, Guilherme Genovez, explica que o cenário não representa falta imediata de sangue.

“Nós não estamos com falta de sangue a curto e médio prazo. Mas, a médio prazo, pode faltar. E isso depende da coleta diária.”


O Hemosc trabalha com uma margem de segurança justamente para antecipar situações de desabastecimento. Segundo Genovez, o estado coleta entre 450 e 550 bolsas diariamente, volume próximo ao que é utilizado todos os dias pela rede de saúde.

Sangue O exige atenção especial

Entre os tipos sanguíneos, o O tem importância estratégica. Além de ser frequente na população, é muito utilizado, especialmente em situações de emergência.

O O negativo pode ser utilizado em determinadas situações quando ainda não há tempo para identificar o tipo sanguíneo do paciente.

Por isso, bolsas desse tipo são empregadas, por exemplo, em atendimentos de emergência e podem integrar os estoques utilizados por equipes do Samu e de transporte aeromédico.

“É como se fosse um coringa em um jogo de cartas”, compara Genovez. “Em um acidente, por exemplo, não dá tempo de saber qual é o tipo sanguíneo da pessoa. Principalmente o O negativo acaba sendo muito utilizado. É por isso que ele é o que mais falta.”

O diretor ressalta que, no Brasil, o sangue utilizado nas transfusões depende diretamente da solidariedade da população. A Constituição proíbe a comercialização de sangue, tecidos e órgãos.

Guilherme Genovez, diretor técnico do HemoscFoto: Gustavo Willamil

“Não existe sangue no Brasil que não tenha sido doado. Se as pessoas não doarem, não haverá sangue.”

Guilherme GenovezDiretor técnico do Hemosc

E a demanda pode mudar rapidamente. Cirurgias de grande porte, tratamentos oncológicos, transplantes e atendimentos a vítimas de traumas graves podem exigir dezenas de bolsas. Genovez cita situações excepcionais em que um único paciente pode necessitar de 40, 50 ou até 60 bolsas.

Uma bolsa, diferentes pacientes

Depois da coleta, o sangue passa por processamento e pode ser separado em diferentes componentes. De uma doação podem ser obtidos, entre outros produtos, concentrado de hemácias, plasma e plaquetas, destinados a pacientes com necessidades distintas.

Por isso, uma única doação pode beneficiar pelo menos três pessoas.

Em algumas situações, o alcance pode ser ainda maior. Na assistência a recém-nascidos e crianças de baixo peso, por exemplo, um componente pode ser dividido em volumes menores.

“Às vezes, uma bolsa de concentrado de hemácias é fracionada para atender três, quatro ou cinco crianças. No mínimo três pessoas, mas pode chegar a até dez”, explica o diretor.

Doação que virou rotina

Para Mirela Elaine Colenett, de 56 anos, doar sangue já faz parte da rotina há aproximadamente uma década. A primeira inspiração veio de dentro de casa.

“Minha filha foi quem me motivou. Ela também é doadora de plaquetas. Depois meu filho começou a doar. Trouxemos namorado, amiga…”, conta.

Mirela é do tipo O positivo, um dos estoques que exige atenção neste momento. Quando recebe mensagens do Hemosc informando sobre a necessidade de reposição, procura comparecer.

A motivação é simples. “Da mesma forma que outras pessoas precisam, um dia a gente também pode precisar. Por que não ajudar?”

Doadora de sangue Mirela Elaine Colenett

Doadora Mirela Elaine Colenett

Foto: Gustavo Willamil / Agência Alesc

Sangue para toda a rede

O Hemosc é responsável pela gestão da coleta e distribuição de sangue em Santa Catarina, atendendo hospitais públicos, privados e filantrópicos. A instituição também realiza exames e mantém uma estrutura centralizada para garantir segurança e padronização.

Segundo Genovez, o sistema catarinense possui certificação ISO 9001 e segue padrões internacionais de identificação das bolsas. O Hemosc também atua no acompanhamento de doenças hematológicas, como hemofilia e doença falciforme.

Parte dos exames de alta complexidade realizados em Florianópolis atende ainda demandas da região Sul, conforme explica o diretor.

Quem pode doar

De forma geral, o candidato precisa estar em boas condições de saúde, alimentado e descansado e cumprir os critérios estabelecidos para a doação. Entre os requisitos básicos estão peso mínimo de 50 quilos e avaliação individual antes da coleta.

O Hemosc realiza uma triagem antes de cada doação para verificar se o procedimento é seguro tanto para quem doa quanto para quem receberá o sangue. Alguns critérios podem variar conforme idade, histórico de saúde, medicamentos, procedimentos recentes e outras condições.

As doações são realizadas nas unidades do Hemosc em Santa Catarina e o atendimento pode ser previamente agendado.

Em um sistema que depende exclusivamente de doadores, manter os estoques seguros exige participação constante — não apenas quando surge uma emergência.

Como resume Genovez, cada bolsa começa com uma decisão individual e pode terminar ajudando vários pacientes: dez minutos para quem doa podem representar uma nova chance para quem precisa de sangue.

Palavras-chave
para quem precisa de sangue.



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