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Brasil puxa expectativas econômicas da América Latina para baixo, enquanto Argentina dispara no crescimento do Indicador de Clima Econômico Economia

Brasil puxa expectativas econômicas da América Latina para baixo, enquanto Argentina dispara no crescimento do Indicador de Clima Econômico

20-08-2026 há 13 horas

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O ICE (Indicador de Clima Econômico) da América Latina voltou a registrar alta no segundo trimestre de 2026, interrompendo a retração observada no início do ano. Divulgado pela FGV (Fundação Getulio Vargas), o índice avançou 10,7 pontos, alcançando a marca de 83,7 pontos e retomando o ritmo positivo verificado ao longo de 2025. O ICE avalia o desempenho e as tendências da economia combinando a percepção sobre a situação atual (ISA) e as expectativas para os próximos seis meses (IE). A pontuação varia de 0 a 200 pontos, em que valores acima de 100 indicam um ambiente econômico favorável e abaixo de 100 sinalizam um cenário desfavorável.Segundo dados do Indicador de Clima Econômico (ICE) da FGV para o segundo trimestre de 2026, a Argentina disparou 54,8 pontos e alcançou a liderança regional com 123,1 pontos, impulsionada pelo forte otimismo no ambiente de negócios.Em contrapartida, o Brasil registrou um avanço modesto de 4,7 pontos (atingindo 76,9 pontos), onde o pessimismo e a cautela com as expectativas futuras atuaram como uma âncora para o crescimento da América Latina. 

FGV: Argentina puxa alta: ICE sobe +54,8 pts para 123,1 no 2º tri

Na média acumulada de 12 meses, o indicador atingiu 83,0 pontos, uma variação positiva de 1,4 ponto frente ao trimestre anterior.

Embora o avanço global sinalize um ambiente de negócios mais favorável, o resultado regional é marcado pelo contraste do desempenho das principais economias.

O grande motor desse crescimento foi a Argentina, cujo ICE registrou um salto expressivo de +54,8 pontos, atingindo o patamar de 123,1 pontos, o maior nível da região no período.

Essa evolução do clima econômico ocorreu em meio à escalada do conflito geopolítico entre EUA e Irã no fim do primeiro trimestre, que gerou um choque de oferta de petróleo e aumentou a incerteza global.

Embora o clima econômico atual tenha subido para 83,7 pontos no 2º trimestre de 2026 impulsionado pela Argentina, a deterioração do Índice de Expectativas (IE) no Brasil impediu a consolidação de uma recuperação mais forte no continenteFoto: Freepik/Reprodução/ND MaisEmbora o clima econômico atual tenha subido para 83,7 pontos no 2º trimestre de 2026 impulsionado pela Argentina, a deterioração do Índice de Expectativas (IE) no Brasil impediu a consolidação de uma recuperação mais forte no continente

Contudo, a América Latina foi vista por investidores como um relativo “porto seguro” devido ao seu isolamento geográfico e à condição de exportadora líquida de energia — com 68,2% dos analistas prevendo impactos nulos ou moderados no PIB regional. 

Já no cenário doméstico brasileiro, a FGV aponta que a proximidade da eleição presidencial contamina a visão sobre o futuro do País, mantendo a sensibilidade do ambiente de negócios no curto prazo, a despeito do peso reduzido da Bolívia no resultado negativo do indicador de expectativas.

Como o pessimismo futuro no Brasil travou a região, indicam dados da FGV

O ponto crucial do relatório da FGV está na divisão do clima econômico: enquanto a avaliação do presente melhorou pontualmente, as expectativas para os próximos meses (IE) no Brasil não acompanharam o ritmo e seguiram no terreno negativo.

Como o país é a maior economia do bloco, esse desinteresse e a cautela dos analistas sobre o futuro brasileiro atuaram como uma verdadeira âncora, impedindo que o indicador de expectativas do continente se consolidasse no campo positivo.

Impulsionado pelo salto expressivo da Argentina, o indicador da FGV avançou 10,7 pontos e atingiu 83,7 na região, enquanto projeção do PIB para 2026 segue estável em 1,9

Apesar de o Brasil ter registrado um avanço tímido de 4,7 pontos no seu Indicador de Clima Econômico geral (chegando a 76,9 pontos), esse resultado ficou muito distante das reações observadas na Argentina (+54,8 pontos) e na Colômbia (+27,0 pontos). 

A disparidade deixa claro que, embora a revisão do PIB brasileiro para 2026 tenha subido no curto prazo, a falta de otimismo com os trimestres seguintes limita a atração de investimentos e faz a América Latina avançar em velocidades opostas.

FGV: Como cada país performou no 2º trimestre de 2026

A oscilação do clima de negócios na América Latina refletiu dinâmicas internas bastante distintas entre os blocos e governos locais. Saiba o que muda nos principais mercados analisados pela FGV:

  • Argentina: Registrou o maior otimismo regional, saltando para 123,1 pontos (+54,8 pontos).
  • Colômbia: Apresentou forte recuperação, subindo 27,0 pontos e alcançando 93,7 pontos.
  • Brasil: Teve uma melhora modesta de 4,7 pontos, posicionando seu indicador em 76,9 pontos.
  • México: Foi a única grande economia a registrar queda, caindo 3,2 pontos e recuando para 56,9 pontos.

Projeções para o PIB em 2026: estabilidade com forças opostas

Apesar da alta no clima de negócios, a estimativa do PIB (Produto Interno Bruto) para a América Latina em 2026 permaneceu inalterada em relação aos três primeiros meses do ano, fixada em 1,9%. 

Essa estabilidade no acumulado da região oculta revisões divergentes entre os países membros:

  • Revisões positivas: Brasil e Colômbia puxaram as revisões para cima, compensando desacelerações de vizinhos.
  • Revisões negativas: Chile e Bolívia lideraram o grupo das maiores revisões para baixo no período.

A manutenção da projeção regional mostra que, apesar do alívio no indicador de confiança, a recuperação produtiva real avança em ritmos desiguais pela América Latina.

Palavras-chave
ritmos desiguais pela América Latina. ​



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