Em uma reviravolta jurídica internacional inesperada, a Corte de Cassação de Roma, instância máxima do Judiciário italiano, anulou a decisão que havia negado a extradição da deputada federal brasileira Carla Zambelli (PL-SP). Com a determinação proferida nesta quarta-feira (1º de julho de 2026), o processo foi devolvido ao Tribunal de Apelação de Milão, que será obrigado a refazer o julgamento do caso do zero.A decisão surpreendeu os bastidores políticos e jurídicos tanto em Brasília quanto na Europa. O recurso que provocou a mudança de rumos foi apresentado pelo Ministério Público italiano, que contestou o encerramento do caso, ocorrido em março deste ano, quando os magistrados de Milão haviam rejeitado o pedido de envio da parlamentar ao território brasileiro sob a alegação de falta de fundamentação legal robusta.
O motivo da anulação e o novo julgamento de Carla Zambelli
De acordo com a decisão da Suprema Corte italiana, a medida anterior do Tribunal de Milão apresentou contradições técnicas e insuficiência na análise dos argumentos apresentados pelo governo do Brasil. Ao acolher o recurso da acusação, a Corte de Cassação invalidou a sentença prévia por completo.
Advogados da deputada federal minimizam a decisão e afirmam que o tribunal italiano voltará a rejeitar o pedido do governo brasileiro
Agora, um novo colegiado de juízes em Milão será constituído para reavaliar as acusações e as provas enviadas pelas autoridades brasileiras. Não há uma data fixada para que o novo julgamento ocorra, mas o reinício do trâmite estende o desgaste jurídico que envolve o nome da deputada no exterior.
O que motivou o pedido de extradição?
O pedido de extradição foi formalizado pelo Ministério da Justiça do Brasil após investigações que miram a atuação da parlamentar em solo nacional. O cerne do processo internacional diz respeito ao episódio ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, quando a deputada foi filmada perseguindo um homem negro no meio da rua no bairro dos Jardins, em São Paulo, empunhando uma arma de fogo.
Pedido de extradição contra a parlamentar baseia-se no episódio de perseguição armada em São Paulo e nas investigações sobre a invasão de sistemas do CNJ
Além do caso da perseguição armada, a situação processual de Zambelli no STF (Supremo Tribunal Federal) agravou-se com o inquérito que apura a contratação do hacker Walter Delgatti Neto. A investigação aponta suspeitas de que a deputada teria articulado a invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para a inserção de mandados de prisão falsos contra o ministro Alexandre de Moraes.
O que diz a defesa da deputada
Em nota divulgada para a Agência Brasil após a decisão em Roma, a equipe jurídica que representa Carla Zambelli no Brasil e na Itália minimizou a anulação, classificando o retorno do processo a Milão como um procedimento técnico e natural de revisão processual.
A defesa reiterou a convicção de que o Tribunal de Apelação de Milão chegará à mesma conclusão do julgamento anterior e rejeitará novamente o pedido do governo brasileiro. Os advogados sustentam que as acusações possuem motivações de perseguição política e que a parlamentar goza de imunidade assegurada pelo mandato legislativo.
Palavras-chavepelo mandato legislativo.





