A empresa norte-americana USA Rare Earth confirmou um acordo para comprar 100% do Grupo Serra Verde, controlador da mina de terras raras Pela Ema, bem como sua unidade de processamento, localizada em Minaçu, Goiás. A negociação está avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. O valor inclui um pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,849 milhões de ações ordinárias da USAR. O fechamento da compra está previsto para o terceiro trimestre deste ano, sujeito a aprovações regulatórias.
Mina de terras raras: fornecimento estratégico fora da Ásia
De acordo com a empresa norte-americana, a aquisição assegura um ativo exclusivo fora da Ásia, que é o único produtor em escala dos quatro elementos magnéticos essenciais das terras raras: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, todos fundamentais para a indústria de tecnologia, veículos elétricos e defesa. A Serra Verde firmou um contrato de compra mínima garantida por 15 anos para 100% da primeira fase de produção desses quatro elementos. O acordo garante um veículo financeiro capitalizado por diversas partes do governo dos Estados Unidos e investidores privados, incluindo preços mínimos para os elementos.
Financiamento americano
A companhia também recebeu um financiamento de US$ 565 milhões da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC), uma agência de fomento. O recurso será usado para aprimorar e expandir as operações da mina até que atinja fluxo de caixa positivo.
A compra da mina goiana por uma empresa americana reforça a estratégia dos EUA de reduzir a dependência da China no fornecimento de terras raras, minerais críticos para a transição energética e a indústria de alta tecnologia.
A Serra Verde é a única produtora em grande escala de terras raras pesadas críticas (“ETRPs”), bem como terras raras leves fora da Ásia.
“Estamos satisfeitos por termos garantido esse acordo de fornecimento de 15 anos com uma empresa de propósito específico, capitalizada por diversas agências do governo dos Estados Unidos, bem como por fontes de capital privado para 100% da produção da Fase I de nossa operação de classe mundial”, afirmou Thras Moraitis, CEO do Grupo Serra Verde.
Embaixada dos Estados Unidos mandou recado sobre terras raras no Brasil
Em março, uma publicação da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil traz um tom de preocupação com minerais críticos. A mensagem tem ar de provocação e mostrou que o país já estava no radar dos norte-americanos. "Minerais críticos estão por trás de tecnologias essenciais. Com o fornecimento concentrado em poucos países, diversificar parcerias e cadeias de suprimento é chave para reduzir riscos e fortalecer a economia global. Veja porque os minerais críticos são fundamentais para o presente e o futuro”, dizia a mensagem. O Brasil é o segundo maior reservatório de terras raras, com cerca de 25 milhões de toneladas. Só perde para a China, com 45 milhões de toneladas. Lá a extração e comercialização já é prática. No Brasil, ainda está em fase de estudos e preservação
Palavras-chavefase de estudos e preservação





