A Escola Indígena de Educação Básica Tekoa Marangatu, em Imaruí, deu um passo histórico ao criar o Grêmio Estudantil “Kyringue Ruvixa – Jovens Lideranças da Tekoa Marangatu”. A iniciativa é inédita na região e pode ser a primeira em Santa Catarina.
O diretor Tiego Rocha Rebello idealizou o projeto. Ele busca ampliar a participação dos alunos e aproximar a escola da realidade da comunidade Guarani Mbya. Assim, a gestão escolar se torna mais democrática e conectada à cultura local.
Jovens no centro das decisões
O grêmio nasce com foco na formação de lideranças. Além disso, incentiva a oralidade, o senso crítico e a participação coletiva. Muitos alunos ainda têm dificuldade para se expressar em público. Por isso, a escola aposta no grêmio como ferramenta de desenvolvimento.
Com o tempo, a expectativa é clara. A comunidade quer ver novos líderes surgindo e assumindo papéis importantes dentro da aldeia.


Estrutura inspirada na tradição
A escola construiu o grêmio com base na organização política Guarani Mbya. A Tekoa Marangatu, conhecida como Aldeia da Harmonia, tem cerca de 290 moradores. Nesse contexto, o modelo respeita a cultura local.
A equipe criou um estatuto e um regimento próprios. Em seguida, apresentou os documentos aos estudantes. Eles analisaram, sugeriram mudanças e aprovaram o conteúdo no dia 25 de março de 2026.
Além disso, o processo eleitoral segue lógica semelhante à escolha de cacique e vice-cacique. Dessa forma, os alunos vivenciam práticas tradicionais dentro da escola.
Eleição acontece em abril
A assembleia geral ocorrerá no dia 2 de abril. Alunos do 5º ano até a 3ª série do Magistério poderão indicar representantes. Durante o encontro, novos nomes também poderão surgir.
Se houver mais indicações do que o permitido, cada segmento fará sua votação. Depois disso, os escolhidos definirão os cargos de Líder Estudantil e Vice-Líder.
Cultura e identidade fortalecidas
O grêmio também reforça a cultura Guarani Mbya. Ele valoriza o Nhande Reko, que orienta o modo de vida da comunidade. Ao mesmo tempo, fortalece a luta por direitos dos povos originários.
A escola trabalha com educação intercultural bilíngue. Nesse modelo, o português funciona como segunda língua. Assim, os saberes tradicionais dialogam com o ensino formal.
Além disso, os alunos passam a ter mais responsabilidade. Eles participam da preservação do espaço escolar e da própria aldeia.

Projeto pode ser pioneiro no estado
Até agora, não há registro de outro grêmio estudantil indígena em Santa Catarina. Por isso, a iniciativa pode ser pioneira. A direção ainda aguarda confirmação oficial da Secretaria de Estado da Educação.
Para estruturar o projeto, a escola buscou referências. Ela entrou em contato com uma instituição indígena do Mato Grosso que criou um grêmio em 2025. Esse intercâmbio ajudou na construção do modelo local.
Um marco para a educação indígena
A criação do “Kyringue Ruvixa” marca um novo momento para a educação indígena. O projeto une participação, cultura e formação política. Além disso, fortalece o protagonismo dos estudantes.
Com isso, a experiência pode inspirar outras escolas. Ela mostra que tradição e inovação podem caminhar juntas.
Palavras-chaveinovação podem caminhar juntas.





