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Justiça obriga hospital de SC que aplicou soro contra cobra em bebês abra portas para auditoria Saúde

Justiça obriga hospital de SC que aplicou soro contra cobra em bebês abra portas para auditoria

28-08-2025 • há 1 ano

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Uma decisão judicial determinou que o Hospital Santa Cruz de Canoinhas, envolvido no caso em que 11 recém-nascidos receberam soro de cobra no lugar da vacina contra hepatite B, permita a realização da auditoria externa contratada pela Prefeitura, que aconteceu a partir desta quinta-feira (28).A determinação aconteceu após uma ação judicial movida pela prefeitura, que alegava que o hospital havia imposto restrições capazes de inviabilizar a fiscalização. Em ofício encaminhado à Secretaria de Saúde, a direção da unidade teria condicionado o início dos trabalhos a um agendamento prévio definido pelo próprio hospital.

Também teria restringido o acesso a documentos e dados considerados sensíveis e ainda exigiu uma reunião preparatória com sua direção antes do início da auditoria. Para a Justiça, tais medidas descaracterizam a urgência da ação e comprometem sua efetividade.

Auditorias anteriores

O município também alegou que falhas de gestão, descumprimento contratual e irregularidades na assistência prestada pela unidade, que é a única hospitalar em funcionamento na cidade e integra a rede do SUS.

Segundo a Prefeitura, auditorias anteriores e processos administrativos já apontavam problemas. Entre elas aponta que sete ações judiciais tramitam envolvendo supostos erros médicos no hospital, que somam mais de R$ 1 milhão em pedidos de indenização.

Determinações

A decisão da juíza Isabela Alcalde Torres, da 2ª Vara Cível da comarca, determinou que o hospital:

  • Não obstrua a auditoria contratada, permitindo o acesso imediato da equipe da prefeitura, a partir da entrega de uma lista nominal dos profissionais que acessarão o hospital;
  • Forneça documentos administrativos, contábeis, fiscais e de pessoal, inclusive cópias físicas e digitais, sob compromisso de sigilo;
  • Libere a consulta a prontuários médicos, mas apenas dentro da unidade, sem permitir cópias ou retirada, em respeito à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 100 mil, limitada inicialmente a R$ 500 mil.

O que diz o Hospital de Canoinhas?

Segundo o Hospital Santa Cruz de Canoinhas, a instituição foi informada na segunda-feira (25) que a auditoria teria início nesta quinta (28), porém sem horário previsto e sem informar o nome e registros dos profissionais que iriam realizá-la.

Por isso, para uma questão de organização dos fluxos de trabalho foi solicitado alguns documentos.

“Para que fosse necessário atendê-los da melhor forma possível, bem como para que conseguíssemos entregar as documentações necessárias para a realização da auditoria foi solicitado: procedimentos operacionais, cronograma de execução, responsáveis por fornecer as informações e documentos, com seu respectivo conselho de classe e quais os horários que seriam realizadas as visitas técnicas”, escreveu em nota.

“A visita ocorreu na data de hoje de maneira muito acolhedora e muito positiva”, disse a diretora do hospital, Karin Adur.

Relembre o caso

A motivação da auditoria externa foi a aplicação acidental de 0,5 ml de soro contra veneno de cobra no lugar da vacina contra hepatite B em 11 recém-nascidos no Hospital Santa Cruz de Canoinhas.

O caso foi no dia 15 de julho e teria acontecido por conta da semelhança entre os frascos, conforme declarou o hospital, na época.

Soro de cobra em recém-nascidos: MPSC investiga hospital de SC – Foto: soro-butantan-1Soro de cobra em recém-nascidos: MPSC investiga hospital de SC – Foto: soro-butantan-1

Segundo a diretora do hospital, os frascos do soro de cobra e da vacina da hepatite B são da mesma cor e possuem etiquetas similares, por serem produzidos pelo mesmo instituto, o Butantan.

Em nota, o Instituto afirmou que a armazenagem e administração dos produtos são de responsabilidade das unidades de saúde, e que a padronização dos rótulos e embalagens é definida pelo Ministério da Saúde, por meio do PNI (Programa Nacional de Imunizações), independentemente do fabricante.

Karin ainda manifestou que a aplicação foi um erro grave, mas reiterou, na época, que havia chances mínimas de gerar reações adversas ou tardias para os bebês.

O Butantan também informou que o soro antiofídico possui baixo índice de contraindicações, conforme descrito em sua bula.

Sobre o afastamento da técnica de enfermagem responsável pela aplicação do antídoto, o Hospital Santa Cruz informou que aguardaria o término da sindicância aberta para apurar o caso.

A gestão ainda relatou que a profissional atua há mais de 20 anos na instituição e não possui histórico de falhas relacionadas à medicação. O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) investiga o caso.

Palavras-chave
O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) investiga o caso. ​



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