Um áudio obtido pelo portal Metrópoles revela um desabafo do juiz Airton Vieira, que atuou como auxiliar de Alexandre de Moraes no STF (Supremo Tribunal Federal) entre 2018 e março de 2025.Na gravação, enviada em janeiro de 2023 a Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o juiz fala sobre pressões e impactos sofridos durante o período no gabinete do ministro.“Olha, realmente a coisa está feia, viu? Eu não estou aguentando mais em termos físicos, psicológicos, emocionais. Eu não consigo dormir sossegado, eu não tenho tranquilidade, eu estou perdendo completamente a higidez mental, o pouco que eu ainda tinha, viu? Realmente a coisa está feia”, diz o áudio do juiz que auxiliou Moraes em resposta a Tagliaferro.
Ele também comentou sobre supostas intervenções no seu trabalho e que anteciparia seu retorno ao cargo de desembargador do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo).
“Até depois, em questões de audiência de custódia, sabe, ele vem dando palpite. Espera um pouco, né? Olha, eu não sei como vai evoluir isso, honestamente falando, mas eu sei que eu já cheguei ao meu limite, aliás, já ultrapassei o meu limite faz tempo. É que agora eu estou numa situação, né, eu havia pensado já. Já tinha decidido antecipar a minha passagem”, disse Vieira.
Segundo o juiz, o trabalho no gabinete envolvia cobranças constantes e prazos urgentes, o que teria prejudicado sua saúde e afetado gravemente a vida familiar.
“Minha família está sendo extremamente prejudicada e toda essa situação, além de tudo, do trabalho. Porque se a situação do trabalho fosse boa, tudo bem, mas essa situação, sabe? Pressão para tudo quanto é lado, cobrança, o que a gente fala não tem crédito, tudo para anteontem”, lamentou o magistrado.
Airton Vieira e Eduardo Tagliaferro – Foto: Reprodução
O juiz que auxiliou Moraes contou ainda que, após um breve período de tranquilidade, a tensão “voltou a subir de forma exponencial” e que se sentia constrangido em sair no momento de “maior tempestade” no STF.
“Eu falei: bom, agora que a temperatura vai diminuir, etc., etc. Só que voltou a subir de uma forma exponencial e agora eu fico constrangido de antecipar qualquer coisa, porque passaria a impressão de que eu estaria saindo, pulando do barco, justamente no momento, talvez, de maior tempestade. Isso eu acho desagradável e eu não faria, né? Deixando, no caso, o ministro na mão, mas está muito, muito, muito difícil”, contou Vieira.
Contexto e investigações
A fala do juiz que auxiliou Moraes veio à tona em meio à investigação contra Tagliaferro por suposto vazamento de conversas de WhatsApp envolvendo integrantes do gabinete do ministro, o chamado “Vaza Toga”, e o bloqueio de perfis de direita em redes sociais. Na última sexta-feira (8), o ministro negou pedido da defesa para acesso aos autos.
Dossiê contra Moraes revela supostas conversas do grupo exposto na “Vaza Toga” – Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
A PF (Polícia Federal) já indiciou o ex-assessor por violação de sigilo funcional com dano à administração pública.
Vieira deixou oficialmente o gabinete em março de 2025. A reportagem do ND Mais tenta contato com o magistrado. O espaço segue aberto.
*Com informações de Metrópoles.
Palavras-chave*Com informações de Metrópoles.





