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Chama o Lira: nos bastidores, deputados criticam atuação de Motta e buscam ex para acordo Política

Chama o Lira: nos bastidores, deputados criticam atuação de Motta e buscam ex para acordo

11-08-2025 • há 1 ano

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A vida do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara dos Deputados não tem sido nada fácil. Alvo de memes criados por inteligência artificial e críticas de colegas parlamentares desde o episódio em torno no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a situação piorou na última semana com o motim provocado pelos partidos de oposição na Casa, que terminou com a ocupação do plenário.

Após o fim do recesso, parlamentares inconformados com a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro decidiram ocupar a Mesa Diretora, incluindo a cadeira de Motta, para pressionar o comando da Casa a reagir e a pautar matérias como a anistia e o fim do foro privilegiado. Antes de conseguir retomar o seu lugar, Motta demorou para voltar a Brasília, segundo avaliaram alguns deputados, e mesmo quando chegou encontrou dificuldades para tomar o controle da situação, que contou com a ajuda do ex-presidente Arthur Lira (PP-AL).

Arthur Lira e Hugo Motta, no plenário da Câmara dos Deputados – Foto: Marina Ramos/Câmara dos DeputadosArthur Lira e Hugo Motta, no plenário da Câmara dos Deputados – Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Na última terça-feira, logo depois da oposição “acampar” no plenário com a “turma do esparadrapo”, como alguns parlamentares batizaram os colegas que protestavam com adesivos na boca, na entrada do plenário a base aliada criticava a ação. Enquanto os líderes falavam aos jornalistas, o deputado Chico Alencar, ao ser questionado sobre a ausência do presidente Hugo Motta em meio ao tumulto na Casa, brincou: “deve ter ido ligar para o Lira”.

Faltou direção e firmeza na conduta de Motta, avalia analista

Nosso reporte, o analista Jorge Mizael, da Metapolítica Consultoria, disse que Motta demorou demais para agir, e isto certamente deixará marcas. “Eu diria que faltou direção, velocidade e firmeza”, pontuou.

Foi o ex-presidente da Casa Arthur Lira, padrinho da eleição de Motta na Câmara, que acabou sendo acionado para resolver a crise. No segundo dia de ocupação, tarde da noite, embora Motta já estivesse em Brasília, era possível ver o líder do Progressistas de Lira, Dr. Luizinho, negociando com os parlamentares que se recusavam a deixar o plenário.

Hugo Motta consegue retomar cadeira para realizar primeira sessão da Câmara após recesso – Foto: Luiz Carlos RodriguesHugo Motta consegue retomar cadeira para realizar primeira sessão da Câmara após recesso – Foto: Luiz Carlos Rodrigues

Falas sobre acordo geraram controvérsia após desocupação, e dúvidas sobre negociações

Após recuarem da ocupação e saírem do plenário, permitindo que Hugo Motta ocupasse a sua cadeira, os deputados falavam de um tal acordo para pautar a anistia e o fim do foro privilegiado, que foi confirmado pelo líder do PL, Sóstenes Cavalcante, questionado pelo líder do PT, Lindbergh Farias; e negado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta.

No final das contas, o Partido Liberal anunciou que o tal acordo foi feito com os líderes, e não com Motta. Foi aí que entrou a participação de Arthur Lira, que segundo interlocutores, não pegou muito bem na relação entre Motta e Lira, que na avaliação de alguns, continua tendo muita influência sobre os deputados, enquanto Motta parecer ter saído “enfraquecido” deste episódio.

Deputado Arthur Lira (PP – AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados – Foto: Bruno Spada /Câmara dos DeputadosDeputado Arthur Lira (PP – AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados – Foto: Bruno Spada /Câmara dos Deputados

Alguns líderes do chamado centrão, inclusive, consideraram desnecessária a interferência de Lira, já que o tal acordo teria sido feito sem que Hugo Motta  soubesse da articulação com o ex-presidente da Câmara. Em caráter reservado, parlamentares afirmam que a relação entre Lira e Motta teria ficado “abalada”.

Mesmo após a convocação de sessão feita pelo presidente e a ameaça de suspensão dos deputados que participavam do bloqueio da Mesa Diretora, a oposição manteve a ocupação, num ato que durou mais de 30 horas e contou até com revezamento entre os parlamentares.

Motta retomou a cadeira e fez até discurso, mas enfrentou dificuldades para se impor

Depois de muita negociação o presidente da Câmara conseguiu marcar simbolicamente o fim da ocupação bolsonarista, sentou-se em sua cadeira e abriu a sessão, em meio a gritos e protestos, e fez um discurso em defesa da Câmara, pedindo que o plenário fosse liberado para o funcionamento regular das atividades.

Após demora para agir, Motta encaminha representação à Corregedoria e 15 deputados podem ter o mandato suspensoHugo Motta aliado ou adiversário de Eduardo Bolsonaro? O futuro está nas mãos do presidente da Câmara – Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A sessão foi  aberta sem pauta de votação, mas marcou a desmobilização do ato dos parlamentares Reduzido o clima de tensão, Motta agora terá pela frente o desafio de “corrigir” os deputados que lideraram o protesto e ainda driblar a pressão pelo debate da anistia e do fim do foro privilegiado, sob ameaça de nova obstrução dos trabalhos.

Para tentar demonstrar força e comando, o presidente determinou o envio de uma representação contra parlamentares à Corregedoria da Câmara, que pode levar à suspensão dos mandatos de 15 deputados, sendo a maior parte do Partido Liberal de Jair Bolsonaro, além de um deputado do Novo; e da deputada do PT acusada de agredir Nikolas Ferreira no momento da desocupação do plenário.

Palavras-chave
dificuldades para se impor



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