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‘Falsa humilde’, ‘miserável’ e ‘canalha’/ex-carcereiro/Lula relata o que/presidente dizia sobre ministros/STF durante 580 dias preso Política

‘Falsa humilde’, ‘miserável’ e ‘canalha’/ex-carcereiro/Lula relata o que/presidente dizia sobre ministros/STF durante 580 dias preso

04-11-2026 • há 13 horas

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O policial federal Jorge Chastalo Filho, que foi o carcereiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos 580 dias em que ficou preso na Superintendência da PF (Polícia Federal) no Paraná, revela no livro “Banho de Sol” diálogos em que Lula demonstrava decepção e rancor em relação aos ministros indicados por ele e por Dilma Rousseff ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia e Luiz Fux aparecem no livro como os principais alvos do ressentimento do petista. Na época, a Corte negava seguidamente pedidos para que o petista fosse libertado, censurava pedidos de entrevista e adiava julgamentos que poderiam vir a anular sua condenação.

Ministros Cármen Lúcia e Edson Fachin foram alvos de duras críticas de Lula durante cárcere, diz carcereiro

Segundo Jorge Chastalo, Lula fez duras críticas a Cármen Lúcia e a Fachin quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidia se ele poderia ou não se candidatar à Presidência da República para disputar a vaga com Jair Bolsonaro (PL). “A Cármen é uma falsa humilde, Chastalo. Conhece esse tipo de gente? Em uma conversa comigo, para que eu a indicasse ao STF [em 2006], começou dizendo que seu primeiro brinquedo foi uma boneca de sabugo. E que seu pai tinha as mãos calejadas de trabalhar. E que aprendeu com seu pai que uma coisa muito importante na vida é a gratidão. E eu caí nessa!”, teria declarado o petista em julho de 2018, de acordo com o policial federal.

Em outra ocasião, de acordo com Chastalo, Lula teria dito a ele que, ao buscar a indicação de ministro para o STF, Cármen teria contado ao petista que aprendeu com o pai a “levar no coração a palavra ‘gratidão'” e que, portanto, se fosse indicada à Corte, jamais esqueceria o gesto.

“Sorrindo, Lula diz: ‘Agora está aí, insegura, fazendo merda'”, afirmou o carcereiro em seu livro “Banho de Sol”.

A Jorge Chastalo, Lula também teria reafirmado seu rancor sobre a ministra em outro momento: “Fui dormir cedo ontem, com um ódio muito grande da Cármen Lúcia. Ela falava em gratidão e agora deu nisso. Essa miserável”.

Segundo os relatos do policial federal, o ministro Edson Fachin voltou a ser alvo das críticas de Lula quando retirou de pauta o julgamento do habeas corpus interposto pelos advogados de Lula pedindo a sua libertação. Entre eles, o atual ministro do STF, Cristiano Zanin.

“Esse Fachin é um filho da puta mesmo, Chastalo. Eu não indiquei ele para o STF no meu mandato porque não confiava nele. Aí a Dilma [Rousseff, que sucedeu Lula na Presidência da República] me liga um dia pedindo autorização para indicar. Eu apenas disse: ‘Agora é você quem decide, afinal, é você quem está na Presidência'”. 

“Eu achava ele um comedor de hóstia, um desses religiosos que comem hóstia hoje, mas fazem merda amanhã… Igual ao Bolsonaro, que diz ser evangélico, mas que tem um apartamento pra ‘comer gente'”, continuou o petista, de acordo com Chastalo.

A referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro se dá em relação à ocasião em que fora questionado sobre o uso que fazia do auxílio-moradia quando era parlamentar.

Chastalo afirma, então, que comentou com Lula sobre Barroso e Alexandre de Moraes serem “os mais inteligentes” da Corte. Segundo ele, o petista concordou.

Fux foi chamado de ‘canalha’ por Lula, segundo Chastalo

Em 2018, a Folha de S. Paulo e o jornal El País obtiveram autorização judicial, concedida pelo então ministro Ricardo Lewandowski, para entrevistar Lula na prisão — decisão que foi derrubada pelo ministro Luiz Fux.

Quando recebeu a notícia do próprio carcereiro, Lula teria afirmado: “O Fux passou mais de um ano frequentando toda cerimônia quando eu era presidente, com cara de cachorro pidão [então ministro do Superior Tribunal de Justiça, Fux estava em campanha por uma vaga no STF]. Mas nunca confiei nele. Aí veio a Dilma e acabou nomeando esse canalha, por indicação do [então ministro da Fazenda Antonio] Palocci e do [então governador do Rio de Janeiro] Sérgio Cabral.”

Ex-presidente Dilma Rousseff e ministro Luiz FuxFoto: STF/Reprodução/ND Mais

                                      Ex-presidente Dilma Rousseff e ministro Luiz Fux

De acordo com Chastalo, poucos magistrados mereceram palavras elogiosas de Lula no período de cárcere. Em um dos trechos de “Banho de Sol”, o policial federal revela uma fala em que o petista teria dito que Gilmar Mendes e Celso de Mello eram exceções na Suprema Corte. Eles teriam coragem, enquanto outros ministros seriam, na opinião de Luiz Inácio, “boi do cu branco”. 

Questionado sobre a expressão por Chastalo, Lula teria explicado que “o termo é utilizado quando um touro é covarde e nem se dispõe a lutar pelo posto de reprodutor da manada. Muitos membros do STF são assim, não aguentam uma capa da [revista] Veja, então não decidem nada que possa ter repercussão negativa”.

Ministros Gilmar Mendes e Celso de MelloFoto: abio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Reprodução/ND Mais                                                     Ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello

STF anulou as condenações de Lula na Operação Lava Jato

Em novembro de 2019, Lula foi libertado da cadeia, depois que o STF decidiu que uma pessoa somente poderia ser presa depois do trânsito em julgado do processo (esgotamento de todos os recursos). 

Em março de 2021, o ministro relator Edson Fachin concedeu habeas corpus declarando a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar as quatro ações penais de Lula: Triplex do Guarujá, Sítio de Atibaia e Instituto Lula, anulando as condenações do presidente na Operação Lava Jato.

Segundo Fachin, as denúncias formuladas pelo Ministério Público Federal contra Lula nas ações penais relativas aos casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula (sede e doações) não tinham correlação com os desvios de recursos da Petrobras e, portanto, com a Operação Lava Jato.

Edson Fachin anulou as condenações de Lula na Operação Lava JatoFoto: Nelson Jr./SCO/STF/Reprodução/ND Mais                                     Edson Fachin anulou as condenações de Lula na Operação Lava Jato

Com a incompetência reconhecida, as ações penais e outras investigações conexas foram encaminhadas para remessa à Justiça Federal do Distrito Federal e a varas competentes em outras jurisdições. 

As investigações iniciadas com as delações premiadas da Odebrecht, OAS e J&F, que antes estavam no âmbito da Lava Jato, passaram a ser distribuídas para varas federais em todo o país, segundo o local onde teriam ocorrido os delitos.

Em abril de 2021, o Plenário do STF analisou o recurso sobre a decisão de Fachin e, por 8 votos a 3, a Corte manteve o entendimento do relator, que foi seguido pelos ministros Alexandre de Moraes, Roberto Barroso, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes e pelas ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia.

Depois de eleito presidente para o terceiro mandato em 2022, Lula passou a ter uma relação institucional com os ministros do Supremo, recebendo, inclusive, Edson Fachin em seu gabinete — criticado anteriormente pelo petista e posteriormente relator das anulações de suas condenações na Lava Jato.

Lula e Edson FachinFoto: Ricardo Stuckert/PR/Reprodução/ND Mais

                                                 Lula e Edson Fachin

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