O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma nova fase do programa de negociação da dívida dos brasileiros nesta sexta-feira (25).Chamada de Desenrola 3, a iniciativa autoriza o Tesouro Nacional a comprar diretamente dívidas atrasadas de pessoas físicas com descontos (deságios) de até 90%.Ação ocorre a 9 dias do 1° turno das eleições.
Conforme anunciado pela equipe econômica de Lula nesta sexta-feira (25) em São Paulo, a medida busca destravar a situação de brasileiros com histórico prolongado de inadimplência e ocorre de forma coordenada com o veto às plataformas de apostas digitais, as chamadas bets.
Brasil tem mais de 70 milhões de devedores
A criação do Desenrola 3 responde a um diagnóstico da equipe econômica e de técnicos do Ministério da Fazenda sobre a persistência do endividamento no país.
Atualmente, o Brasil contabiliza 73,71 milhões de inadimplentes, e dados do Banco Central apontam que os débitos junto ao Sistema Financeiro Nacional consomem 28,9% da renda média acumulada das famílias.
Mesmo após o corte de mais de R$ 75 bilhões em dívidas nas duas primeiras edições do programa, o alívio financeiro foi neutralizado pela alta dos juros básicos e pela disparada nos gastos com apostas online.
Para o governo, as bets atuaram como um gatilho decisivo para a perda de controle orçamentário nos lares brasileiros.
Ao anunciar o Desenrola 3 simultaneamente à proibição das plataformas de apostas, o Palácio do Planalto executa uma ação em duas frentes: interrompe o canal que drenava a renda familiar e oferece uma saída emergencial para quem já perdeu a capacidade de pagamento.
Como funciona o Desenrola 3 na prática?
A principal mudança do Desenrola 3 está no papel do Estado. Em vez de apenas intermediar acordos entre consumidores e empresas, o poder público passa a absorver os débitos.
Segundo a proposta anunciada, o Tesouro Nacional adquire diretamente pacotes de dívidas antigas que bancos e empresas do comércio já haviam lançado como prejuízo em seus balanços.
Como o setor privado considerava esses valores perdidos e de difícil recuperação, aceita vendê-los ao governo por uma fração da quantia original.
Assim que a dívida é comprada pelo poder público, a restrição de crédito do cidadão é retirada dos cadastros de inadimplência.
Com o nome limpo, o consumidor passa a dever um valor reduzido diretamente ao Tesouro Nacional, contando com juros subsidiados e parcelas ajustadas à sua renda mensal familiar.
Nesta etapa, o Desenrola Brasil 3.0 concentra-se exclusivamente em dívidas contraídas junto a instituições financeiras em duas frentes principais: cartão de crédito — tanto na modalidade rotativa quanto na parcelada — e empréstimo pessoal sem consignação em folha de pagamento.
O público-alvo são pessoas físicas que possuem débitos em atraso pelo período de dois anos a quatro anos e meio. O objetivo central da medida é conter o superendividamento e reduzir o comprometimento da renda de famílias que não conseguiram regularizar sua situação nas edições anteriores do programa.
Palavras-chavenas edições anteriores do programa.





