A Braskem, uma das maiores petroquímicas do país, anunciou nesta segunda-feira (24) que vai entrar com pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, o equivalente a aproximadamente R$ 56 bilhões.
O Conselho de Administração da companhia aprovou o ajuizamento, mas o protocolo ainda depende da formalização dos documentos.
(CORREÇÃO: na publicação desta reportagem, o g1 informou que a Braskem havia protocolado um pedido de recuperação extrajudicial. Na verdade, o Conselho de Administração aprovou a medida, e a empresa se prepara para oficializar o pedido. A informação foi corrigida às 10h.)
No comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Braskem afirmou que o processo terá escopo limitado e exclusivamente financeiro. "sem afetar as obrigações da companhia com fornecedores, clientes e demais stakeholders, que, segundo a empresa, seguem vigentes e sendo cumpridas normalmente, conforme os respectivos contratos", diz.
A Braskem deverá buscar um acordo sobre as condições para reorganizar suas dívidas, incluindo prazos e formas de pagamento.
A recuperação extrajudicial é uma negociação feita pela empresa diretamente com seus credores para reorganizar as dívidas, com posterior homologação pela Justiça. Ela é diferente da recuperação judicial, que envolve um processo judicial mais amplo e fiscalização da Justiça desde o início. Na extrajudicial, a empresa negocia previamente as condições do plano com os credores. O acordo pode prever, por exemplo, prazos maiores para pagamento e períodos de carência. O objetivo, nos dois casos, é evitar a falência e permitir que a empresa continue funcionando.
O movimento já era esperado pelo mercado. A Braskem admitiu na última sexta-feira (21) ter mais de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões na cotação atual) em dívidas que estão no escopo da reestruturação. Em documento, a companhia informou que vinha avaliando medidas para se proteger de eventuais ações de credores enquanto buscava avançar nas negociações para reestruturar sua dívida.
A empresa afirmou ainda que as conversas com os credores haviam se intensificado e que avaliava diferentes alternativas para reorganizar seu passivo financeiro.

Boa parte da dívida da Braskem está em títulos emitidos no exterior, que são papéis de dívida vendidos a investidores.
A Braskem também está envolvida em uma reestruturação de sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, que entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, pelo Chapter 11 que permite que empresas continuem operando enquanto renegociam suas dívidas sob supervisão judicial.
- Investigação da PF aponta que empresa que deu origem à Braskem sabia de risco de afundamento desde 1988
- O plano prevê um aporte de US$ 476 milhões da Braskem para manter o controle da companhia.
O que é a Braskem A Braskem é uma das maiores empresas petroquímicas brasileiras, criada em 2002 a partir da integração de ativos da antiga Odebrecht, hoje Novonor, e do Grupo Mariani. A companhia produz resinas plásticas, como polietileno, polipropileno e PVC, usadas na fabricação de embalagens, peças, tubos e diversos produtos do dia a dia. Também produz insumos químicos, como eteno e propeno, utilizados por outras indústrias na fabricação de diferentes materiais. A empresa expandiu suas operações para países como Estados Unidos, Alemanha e México e tem a Petrobras como uma de suas principais acionistas. A petroquímica foi recentemente adquirida pela IG4 Capital da Novonor (ex-Odebrecht) e enfrenta uma longa fase de dificuldades no setor petroquímico e deve precisar de anos para superar os desafios herdados da gestão anterior, segundo a agência de notícias. Além dos preços baixos no setor petroquímico, o caixa da Braskem foi pressionado pelos custos relacionados ao desastre ambiental provocado pela exploração de minas de sal em Alagoas, desastre ambiental que provocou o afundamento do solo em bairros de Maceió e levou à remoção de milhares de moradores.
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