Os impactos sobre o clima brasileiro já começaram a se tornar mais evidentes desde a segunda quinzena de julho.
Após entrar oficialmente em uma nova fase na última quinta-feira (16), o super El Niño passa a influenciar diferentes regiões do país, com previsão de secas prolongadas, chuvas intensas, ondas de calor e aumento do risco de eventos climáticos extremos. A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) divulgou uma nova atualização do fenômeno na última semana. Segundo o órgão, a probabilidade de que a anomalia da temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico Equatorial ultrapasse 2°C entre outubro e dezembro aumentou para 81%, atingindo a classificação de fenômeno “muito forte”. Ainda de acordo com a NOAA, existe 96% de probabilidade de que o fenômeno permaneça ativo entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, o que significa que seus impactos podem se estender pelo menos até o segundo semestre de 2027.
Super El Niño deve provocar impactos diferentes em cada região do Brasil
O super El Niño deverá provocar efeitos distintos em todas as regiões brasileiras ao longo dos próximos meses, segundo análises do CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), divulgadas em 19 de maio. As previsões seguem o comportamento observado durante episódios anteriores classificados como Super El Niño.
Norte e parte do Centro-Oeste
- A redução das chuvas e o aumento das temperaturas elevam o risco de secas prolongadas.
- A principal preocupação envolve a geração de energia nas bacias dos rios Xingu, Madeira e Tocantins-Araguaia, além da pressão sobre os preços da energia e da piora na qualidade da água.

Seca no Rio Solimões
Amazônia e Pantanal
- O calor intenso e a possibilidade de seca aumentam o risco de incêndios florestais. O cenário pode ser agravado pelo uso criminoso do fogo.
- Na Amazônia, a evolução das condições ainda é considerada incerta devido ao volume incomum de chuvas registrado anteriormente. Já o Pantanal permanece em alerta máximo devido ao tempo seco.
- Entre setembro e dezembro, a previsão indica chuvas mais volumosas e persistentes. O risco de enchentes, enxurradas e deslizamentos aumenta no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná.
- As ondas de calor devem ser mais frequentes no Sudeste e no Centro-Oeste. A baixa umidade do ar tende a acompanhar esse aumento de temperatura. A combinação preocupa autoridades de saúde e do setor produtivo.
- A saúde pública é um dos setores mais impactados por esse cenário. A produção agrícola das duas regiões também deve sofrer com o calor. A segurança hídrica local é outro ponto que exige atenção redobrada.
- Porto Alegre continua em estado de atenção máxima devido ao processo de recuperação da infraestrutura após eventos climáticos anteriores.

- Dados da NOAA indicam que cerca de 10% das áreas monitoradas no planeta já apresentam episódios de branqueamento de corais em 2026. O El Niño pode intensificar esse processo.
- No Brasil, Maracajaú, no Rio Grande do Norte, e a Baía de Todos-os-Santos, na Bahia, já registram alerta inicial para branqueamento de corais.
Dados da plataforma AdaptaBrasil mostram que dois em cada três municípios brasileiros apresentam baixa ou muito baixa capacidade adaptativa às mudanças climáticas.
Segundo o levantamento, essa fragilidade pode fazer a diferença entre uma crise administrável e uma tragédia provocada por eventos climáticos extremos.
eventos climáticos extremos.





