O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (15) que a imposição de novas taxas sobre produtos brasileiros foi adotada como uma retaliação à postura do governo de Lula (PT). A confirmação da sobretaxa de 25% foi divulgada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA).
A declaração de Rubio eleva a tensão diplomática e joga holofotes sobre o impacto das tarifas dos EUA ao Brasil.
“Não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, declarou o secretário de Estado. “Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”.

Segundo a avaliação de Rubio, a atual política econômica do Planalto prejudica os interesses de ambas as nações. O Palácio do Planalto anunciou nesta quinta-feira (16) que vai aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica.
Como funciona as tarifas dos EUA ao Brasil
As novas tarifas contra produtos brasileiros incidem sobre praticamente todos os itens destinados ao mercado norte-americano, poupando apenas produtos específicos como carne, café e suco de laranja.
A imposição das taxas foi o desfecho de uma investigação comercial iniciada sob a Seção 301 do USTR, que chamou certas políticas brasileiras como “práticas injustas”. Entre os alvos da apuração americana estão:
- Políticas de incentivo ao Pix (alegando desvantagem injusta para operadoras de cartões dos EUA);
- Regulações de comércio digital e tarifas preferenciais;
- Propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol;
- Ações de combate à corrupção e ao desmatamento ilegal.
Ausência do governo brasileiro em audiência decisiva
O processo de definição das tarifas dos EUA ao Brasil incluiu uma audiência pública realizada nos dias 6 e 7 de julho. No entanto, o governo Lula optou por não enviar representantes oficiais para defender os interesses nacionais, limitando a participação brasileira a diplomatas da embaixada na condição de observadores.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República, participou do segundo dia de debates, usando argumentos eleitorais para solicitar que Donald Trump não impusesse tarifas sobre as importações brasileiras.
Participação do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) em audiência nos Estados Unidos para debater o impacto de eventuais tarifas sobre as exportações do Brasil
“Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente. Impor agora uma tarifa seria difícil de reverter, premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências. Seria o pior momento possível” disse Flávio durante a audiência. No entanto, o depoimento do congressista pouco contribuiu para mudar a decisão do presidente americano.
Governo Lula rebate oposição e critica ida de senador aos EUA por tarifas comerciais

Oposto à isso, no mesmo dia, o governo do presidente Lula publicou uma nota através da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República em tom eleitoral, criticando o senador Flávio Bolsonaro pela sua participação na audiência pública:
“Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país. O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro”, acusa a nota.
Palavras-chaveacusa a nota.





