A gigante chinesa Windey Energy anunciou um investimento de R$ 100 milhões para instalar sua primeira fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no país. A nova unidade terá capacidade para produzir 1,5 GWh por ano. O objetivo principal da empresa é iniciar as atividades no primeiro semestre de 2027. Com esse cronograma, a Windey pretende cumprir as regras de nacionalização exigidas para os contratos de potência que começam a fornecer energia em baterias em agosto de 2028.
De olho no primeiro leilão de armazenamento do Brasil
O investimento milionário no Polo Industrial de Camaçari, na Bahia, não acontece por acaso. O MME (Ministério de Minas e Energia) corre para estruturar o primeiro leilão de armazenamento do país, focado em fortalecer a cadeia produtiva nacional. Até então, o governo brasileiro e o BNDES avaliavam se o país teria fornecedores locais suficientes para atender às exigências de conteúdo nacional sem prejudicar a concorrência do leilão. A chegada da Windey ajuda a destravar esse impasse.

Com capacidade estimada em 1,5 GWh por ano, nova fábrica baiana produzirá sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS)
Para garantir competitividade, a estratégia da empresa inclui obter o CFI (Credenciamento de Fornecedores Informatizado) junto ao BNDES. Esse selo dá acesso ao Código Finame, que permite linhas de financiamento facilitadas, um requisito crucial para disputar os contratos de equipamentos nacionalizados.
Windey ergue megafábrica em meio ao debate sobre o conteúdo local
A decisão da Windey reforça uma bandeira que já vinha sendo defendida por grandes marcas instaladas no Brasil, como WEG, Moura e UCB. Essas empresas argumentam que exigir componentes nacionais estimula a indústria interna e protege o mercado.
Por outro lado, o governo temia que o excesso de exigências reduzisse o número de participantes no leilão. O secretário-executivo do MME, Gustavo Ataíde, chegou a questionar o BNDES se a indústria daria conta de entregar os equipamentos dentro do prazo. A nova fábrica na Bahia surge como uma resposta prática a esse gargalo.

Nova unidade industrial da Windey na Bahia receberá um investimento de cerca de R$ 30 milhões logo no primeiro ano de implantação.
Bahia vira hub de tecnologia na América Latina
A escolha de Camaçari acelera os planos da empresa porque a estrutura física do local já está pronta. Serão necessárias apenas adaptações para instalar as linhas de montagem, testes e comissionamento das baterias. Desse total de R$ 100 milhões, cerca de R$ 30 milhões serão aplicados logo no primeiro ano. Este é o segundo passo da Windey no Nordeste. A companhia inaugurou um escritório nacional e um centro de pesquisa e desenvolvimento em Salvador, em parceria com o Senai Cimatec.
Agora, na fase industrial, a empresa projeta atender não apenas o leilão do governo, mas também a crescente demanda de:
- Projetos de energia solar e eólica (renováveis);
- Sistemas de transmissão e distribuição de energia;
- Grandes consumidores industriais que buscam autonomia elétrica.
Com essa estrutura, o plano vai além das fronteiras nacionais: a Windey quer transformar o Brasil em um polo regional de tecnologia de armazenamento para toda a América Latina.
Palavras-chavearmazenamento para toda a América Latina.





