Entre a fé sincera e o oportunismo conveniente. A Páscoa deveria ser, acima de tudo, um momento de silêncio, reflexão e renovação interior. A celebração da ressurreição de Jesus Cristo carrega uma mensagem poderosa: a vitória da vida sobre a morte, da esperança sobre o desespero, da verdade sobre a injustiça.
… mas a pergunta que precisa ser feita é simples e incômoda: até que ponto essa fé é prática — e não apenas discurso?
A política brasileira vive uma contradição evidente. De um lado, líderes que evocam os ensinamentos de Cristo; de outro, práticas que muitas vezes caminham na direção oposta: polarização agressiva, desinformação e interesses pessoais acima do coletivo.

… não se trata de negar a espiritualidade na vida pública. Pelo contrário. Valores como justiça, compaixão e responsabilidade, centrais na mensagem cristã, são fundamentais para qualquer sociedade democrática. E isso exige maturidade para mudanças, se assim desejar. Quem fala em perdão pratica o diálogo? Quem defende justiça combate privilégios? Quem cita Cristo governa com humildade?
… a Páscoa, em sua essência, não combina com superficialidade. Ela exige transformação verdadeira — e isso é difícil de conseguir.
Se a política brasileira quiser, de fato, se inspirar na Páscoa, precisará ir além das palavras. Precisará ressuscitar algo que anda em falta: a coerência.
Feliz Páscoa!
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