MENU



Empresários de Florianópolis se frustram com temporada de verão ‘abaixo da média’ Turismo

Empresários de Florianópolis se frustram com temporada de verão ‘abaixo da média’

04-02-2026 • há 7 mêses

Publicidade

Números e relatos dos empresários de Florianópolis, até o momento, mostram uma temporada de verão mais fraca do que a anterior. A prévia da pesquisa de verão da Fecomércio-SC (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), por exemplo, revela que o percentual de turistas argentinos na Ilha caiu de 39% do total de visitantes na primeira quinzena de janeiro de 2025 para 24% no mesmo período deste ano. Na Argentina, a imprensa informa que quatro a cada dez argentinos “não podem” tirar férias agora. A questão para eles é financeira: “no hay plata”. No Norte, no Leste e no Sul, os empresários têm a mesma opinião para a atual temporada: decepcionante. Na percepção dos empresários locais, esta temporada de verão em Florianópolis começou cercada de expectativas elevadas, mas não vingou.

Temporada de verão tem queda em Florianópolis

Números oficiais previam 3,5 milhões de turistas no Estado, com fluxo maior na Capital. Mas janeiro se foi, e o sentimento predominante é de frustração, e a esperança agora recai sobre fevereiro e o Carnaval.

Embora Florianópolis siga recebendo turistas, o fluxo e o nível de consumo ficaram aquém do projetado, afetando desde o mercado imobiliário até bares, restaurantes e comércio em geral.

Em Canasvieiras, Norte da Ilha, xodó dos argentinos, o empresário Simoney do Nascimento, dono de uma imobiliária que atua há 45 anos na região, está insatisfeito. “O negócio está fraco, horrível. A nossa principal força é a venda de imóveis, e caiu em relação ao ano passado. Já na locação de temporada, a situação é ainda mais preocupante”, afirma.

Simoney do Nascimento disse que o fluxo de turistas em Canasvieiras está abaixo do esperadoFoto: Alan Pedro/ND Mais   Simoney do Nascimento disse que o fluxo de turistas em Canasvieiras está abaixo do esperado

Segundo ele, muitos proprietários retiraram imóveis do aluguel anual apostando em ganhos maiores no verão, mas as unidades ficaram fechadas. Para Nascimento, o preço foi determinante. “O pessoal cresceu o olho. Acharam que iam faturar muito mais, aumentaram o preço e não alugaram nada.” 

Ele relata quedas de 40% a 50% nos valores praticados em relação ao ano passado. “Além de perder volume, perdeu valor.” O preço elevado, combinado com a redução do turismo, derrubou a taxa média de ocupação. “Hoje é cerca de 50% do que foi no ano passado. ”O empresário também aponta o impacto do câmbio e do comportamento do turista estrangeiro, especialmente o argentino. “Antes, R$ 1 valia 200 pesos argentinos; hoje vale 300. Mesmo baixando o preço, o imóvel continua mais caro para eles.”

Segundo Nascimento, nem mesmo a redução de preços conseguiu reverter o cenário. “Os preços foram reduzidos, estão até mais baratos que no ano passado, mas continuam caros para o turista estrangeiro.

Gastos com alimentação caíram

No setor de alimentação, a avaliação é semelhante. Denise Gomides, gerente de restaurante em Canasvieiras, afirma que a temporada passada foi significativamente melhor. “Este ano está bem devagar, fraco mesmo. O pessoal está gastando menos, pelo menos no restaurante.”

Denise Gomides afirma que o maior fluxo na temporada é de turistas estrangeirosFoto: Alan Pedro/ND MaisDenise Gomides afirma que o maior fluxo na temporada é de turistas estrangeiros

O impacto, segundo ela, é generalizado. “É geral. Tanto argentinos quanto uruguaios. Brasileiro é pouco aqui.” Apesar de um pequeno reajuste nos preços, Denise não acredita que isso tenha sido determinante. 

Para tentar amenizar a queda, o restaurante passou a apostar em grupos e excursões, oferecendo descontos na chegada. Mesmo assim, foi necessário cortar custos.“Reduzi bastante a contratação de freelancers. Agora fico só com o pessoal fixo.”

Em outro restaurante, na Lagoa da Conceição, o cenário também não correspondeu às expectativas. “Não vingou. Tínhamos uma expectativa grande de que fosse boa, como a temporada passada, mas este ano está bem decepcionante. O turista não está gastando muito”, avalia a gerente, Fernanda Duarte da Rosa, que investiu em contratação e estoque, mas não teve retorno. “Inclusive, os nossos finais de semana no inverno estão sendo melhores do que agora no verão.”

Vendedora numa loja de toalhas em Canasvieiras, Evelyn Santos de Miranda, 23 anos, tem uma percepção um pouco menos pessimista, mas concorda que o movimento está mais fraco. “O ano passado foi atípico, então não esperávamos repetir aquela temporada.” Ela destaca que a primeira quinzena de janeiro foi “assustadora”, mas que houve alguma melhora na segunda metade do mês. “Agora vemos mais movimento na rua, principalmente à noite. Está começando a engrenar.”

Evelyn Santos tem uma percepção menos pessimista em relação a temporadaFoto: Alan Pedro/ND MaisEvelyn Santos tem uma percepção menos pessimista em relação a temporada

Argentinos estão mais distribuídos, aponta Fecomércio

Os relatos dos empresários encontram respaldo nos números da Fecomércio-SC.

A prévia da pesquisa de verão também mostra queda no percentual de turistas argentinos no litoral catarinense no início da temporada. Na primeira quinzena de janeiro deste ano, eles representaram 19% do total de visitantes, contra 22% no mesmo período do ano passado.

Ou seja, não foi só na Capital a queda, mas em todo Estado. O que se percebe é uma queda maior em Florianópolis e que eles estão mais distribuídos por municípios como Laguna – que registrou aumento de 7% para 20% na presença dos hermanos – e Imbituba, que passou de 9% para 19%.

Para a entidade, fatores econômicos explicam o recuo dos argentinos. O Índice de Confiança do Consumidor Argentino registrou retração de 1,04% em dezembro, e o endividamento das famílias no país vizinho chegou a 5,4% do PIB. Para o presidente da Fecomércio-SC, Hélio Dagnoni, a valorização do real também pesou. “Na temporada passada, o Brasil estava muito barato para eles. Neste ano, esse gap está bem menor.” Além da redução no fluxo, houve queda de 2% no gasto médio dos turistas em geral, passando de R$ 8.358 em 2025 para R$ 8.179 em 2026. O recuo foi puxado principalmente pelos brasileiros, enquanto o gasto médio do turista estrangeiro cresceu 4,6%.

Quem veio, aprovou

Do outro lado do balcão, os turistas relatam experiências variadas. O argentino Gonzalo Coronel, 41 anos, conta que decidiu vir de última hora. “Ficamos na dúvida: vir para cá ou ir para Mar del Plata.”

Gonzalo Coronel e Gimenna Itati admitem que se sentem receosos sobre a qualidade da águaFoto: Alan Pedro/ND MaisGonzalo Coronel e Gimenna Itati admitem que se sentem receosos sobre a qualidade da água

Ele elogia o clima e a temperatura da água, mas admite receios. “Na Argentina se fala muito sobre a água aqui, contaminação, doenças gastrointestinais. Isso gera medo.” Ainda assim, avalia a experiência como positiva. Já Gimenna Itati Senki, 34 anos, destaca a tranquilidade da cidade, mas estranha o ritmo. “Tudo fecha cedo. Às 22h ou 0h não tem mais movimento.” Outros turistas, como Rocío Molina, 24 anos, elogiam o clima e dizem ter se surpreendido com os preços. “Achamos tudo muito barato e de boa qualidade, até comida na praia.”

Sem alarme

Procurada, a Secretaria de Estado de Turismo preferiu não se manifestar. Já para o secretário de Turismo de Florianópolis, Juliano Pires, a temporada ficou cerca de 10% abaixo do esperado, mas sem motivo para alarme. “A temporada passada foi fora da curva”, afirma. Segundo ele, o câmbio menos favorável e novas opções de viagem para os argentinos influenciaram o cenário. “Apesar disso, a cidade está cheia.” Pires reconhece a queda no ticket médio, mas defende que o movimento segue considerável. “Tem gente, o problema é que o poder aquisitivo diminuiu.”

  • Desembarques no Terminal Rita Maria: dezembro de 2024 x dezembro de 2025 — queda de 3>#/li###
  • Aeroporto Internacional Hercílio Luz: primeira quinzena de janeiro 2025 x 2026 — aumento de 23% | 23/12/2024 a 5/1/2025 x 22/12/2025 a 4/1/2026 — aumento de 16>#/li###
  • Gasto médio: 2025 – R$ 8.358 | 2026 – R$ 8.179 (queda de 2%)

Palavras-chave
Sem alarme



logo

Siga no
Instagram


@Imbituba News Oficial

Seguir

Inscreva-se
no Grupo de
WhatsApp

ENTRAR NO GRUPO