O ministro Alexandre de Moraes abriu na quarta-feira (14) um inquérito para investigar se a Receita Federal e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) vazaram dados de integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) e de seus familiares. A abertura do inquérito foi noticiada pelo Poder360 e confirmada pelo Estadão. A decisão foi tomada sob a presidência interina de Moraes, que assumiu o plantão na segunda-feira (12) e lidera o STF até o fim do recesso, no dia 31 de janeiro. A iniciativa surge após a jornalista Malu Gaspar revelar detalhes do contrato milionário entre o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci, com o Banco Master, investigado por suposto esquema de fraudes financeiras.
Assinado em janeiro de 2024, o contrato previa pagamento R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Caso tivesse sido cumprido integralmente, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 129 milhões até o início de 2027.
Escritório de Viviane Barci receberia até R$ 129 milhões para defender os interesses do Banco Master
O ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no STF, também virou alvo de polêmica. O Estadão divulgou que irmãos do ministro cederam uma fatia milionária no resort Tayaya, no Paraná, a um fundo da Reag Investimentos.
O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, investigada por envolvimento no mesmo esquema de fraudes. O Master também foi liquidado em 18 de novembro de 2025, após a prisão do dono, Daniel Vorcaro.
Irmãos de Toffoli teriam ligação com a Reag Investimentos, investigada por esquema de fraudes do Master
Segundo o Estadão, a Receita questiona a abertura do inquérito, visto que não possui dados de contratos particulares e o acesso a informações sigilosas sem procedimento fiscal aberto é uma prática sujeita a pena de demissão. Procurados oficialmente pelo jornal, STF, Receita e Coaf não se manifestaram.
Moraes abre inquérito contra Receita e Coaf sem pedido da PGR
Diferentemente do procedimento usual, a abertura do inquérito não partiu de um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), como é de praxe no STF. A nova investigação se assemelha ao chamado “inquérito das fake news”.
Instaurado em março de 2019 para apurar ataques e ameaças a ministros do STF, o inquérito das fake news também foi aberto de ofício pelo próprio STF, sem provocação da PGR. O então presidente da Corte, Dias Toffoli, designou Moraes como relator.
Abertura de investigação por vazamento de dados ocorre em meio a polêmicas com escritório da esposa de Moraes e irmãos de Toffoli
O inquérito permanece aberto até hoje e deu origem a diversas outras investigações, incluindo apurações sobre redes de desinformação, empresários, blogueiros e políticos, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
À época, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu o arquivamento do caso, mas sua manifestação foi ignorada. Não há prazo de encerramento para a investigação das fake news, tampouco do vazamento de dados de ministros.
Com informações do Estadão Conteúdo
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