Nascida em 3 de março de 2003, a facção criminosa PGC (Primeiro Grupo Catarinense) surge como uma reação ao avanço do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema carcerário e nas rotas de tráfico de drogas no estado de Santa Catarina. Com origem na Penitenciária de São Pedro Alcântara, localizada a 25 km do Centro de Florianópolis, a organização criminosa mantém estatuto próprio, aplicação dos chamados “tribunais do crime” e financiamento por “dízimo” de libertos e “caixa 2” via tráfico de drogas. Assim como o PCC, a existência do PGC foi minimizada por anos até que o reconhecimento público da organização acontecesse publicamente, em novembro de 2010.
Linha do tempo do PGC
Segundo Lucas Cerqueira, policial civil e mestre em Segurança Pública em artigo para o Fórum de Segurança Pública, entender a origem do PGC passa também por compreender o histórico dos traficantes de drogas que dominavam a região.
- Nos anos 2000, a morte do líder “Baga” (João Vitório da Fonseca) causou conflitos para controle de áreas do tráfico em Florianópolis, que acabaram dando força ao chamado “Neném da Costeira” (Sérgio de Souza), considerado o maior traficante na história de Santa Catarina — hoje confinado em penitenciária de segurança máxima;
- Surge então “O Grupo”, na Penitenciária de Florianópolis, que tal qual o PCC tinham como objetivo combater abusos no sistema carcerário;
- Nasce em 2003 o PGC, com o objetivo de barrar a ascensão do rival PCC em Santa Catarina. Hoje, estima-se que a facção conte com cerca de 10 mil membros espalhados pelo estado.
Como o PGC se organiza e atua?
O PGC mantém uma estrutura formada por dois ministérios, sendo um composto por membros “vitalícios” e outro por membros rotativos. Também existem os chamados “Disciplinas”, que atuam como gestores regionais.
Sobre a atuação da organização, destacam-se:
- Os chamados “batismos”, em que integrantes do PCC recrutam novos membros em território catarinense, rendem ordens de mortes pelo PGC dentro e fora do sistema prisional. Em 2015, segundo o artigo de Cerqueira, o conflito entre PGC e PCC resultou nos maiores números de homicídio da história de Santa Catarina; no ano anterior, em 2014, existiam cerca de 100 membros do PCC em território catarinense.
- Há indícios de parceria estratégica do PGC com o CV (Comando Vermelho) e com a FDN (Família do Norte), a fim de barrar avanços do PCC;
- Já foram relatados conflitos do PGC com a organização paulista em uma série de bairros da Grande Florianópolis, como Monte Cristo, no Continente; José Nitro, em São José; Agronômica, na ilha, nos morros do Horácio e 25; no Morro do Mocotó, no Centro; e em comunidades localizadas nos Ingleses e Vargem de Fora, como Vila União, Papaquara e Siri;
- Também há precedentes de queimas de ônibus, carros e barricadas bloqueando estradas como forma de manifestação de força e desvio da atuação policial.
força e desvio da atuação policial.






