Uma investigação conduzida pela Câmara de Vereadores de Gaspar, no Vale do Itajaí, revelou um possível prejuízo de até R$ 20 milhões aos cofres públicos. O valor foi identificado no relatório final da CPI da Roçada, criada para apurar suspeitas de irregularidades em contratos de limpeza urbana firmados pela gestão municipal anterior. R
Rombo de R$ 20 milhões é descoberto em Gaspar
Segundo o documento, o esquema envolveria servidores públicos e empresas contratadas, com manipulação de medições e superfaturamento de serviços de roçagem e conservação de áreas públicas. As empresas Ecosystem Serviços Urbanos Ltda. e Sanitary Serviços de Conservação e Limpeza Ltda. são apontadas como beneficiárias diretas do esquema, tendo recebido pagamentos acima do valor real dos serviços executados.
A investigação
Durante a investigação, que durou vários meses, os vereadores ouviram 22 testemunhas e analisaram documentos, mensagens e perícias técnicas. O levantamento mostrou a existência de três núcleos de atuação:Operacional, formado por fiscais e representantes das empresas;
- Administrativo, composto por diretores e secretários que validavam os contratos;
- Político-hierárquico, que reunia gestores responsáveis por permitir a continuidade das irregularidades, mesmo diante de alertas internos.
O relatório aponta que a fraude não se tratava de um caso isolado, mas de uma prática sistemática voltada a beneficiar empresas contratadas.
Segundo a relatora da CPI, o esquema “manipulava medições e superfaturava valores de forma articulada, desviando recursos públicos e comprometendo a eficiência dos serviços prestados”.
Os contratos investigados envolvem os serviços de roçagem e limpeza das áreas públicas de Gaspar, com foco em três processos principais – SAF nº 85/2015, nº 102/2020 e nº 1025/2024.
O trabalho da comissão contou com apoio da Polícia Civil, por meio da DECOR/DEIC (Delegacia Especializada em Combate à Corrupção), e da 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de Gaspar.
As autoridades agora devem analisar o relatório para definir as medidas cíveis, criminais e administrativas cabíveis.
CPI da Roçada
A CPI foi criada após uma sindicância interna da prefeitura indicar possíveis irregularidades na execução dos contratos. Diante das evidências, o Legislativo municipal instaurou a comissão com o objetivo de detalhar o esquema e encaminhar as conclusões aos órgãos de controle.
Conforme a Câmara, o relatório final será encaminhado ao Ministério Público, à Polícia Civil e ao Tribunal de Contas do Estado.
A reportagem entrou em contato com as empresas citadas na investigação e com a Prefeitura de Gaspar, o espaço segue aberto para os posicionamentos.
Palavras-chaveCPI da Roçada





