O show de Kanye West em São Paulo, marcado para o dia 29 de novembro, ainda não tem onde acontecer. Faltando menos de um mês para a apresentação, o evento – que inicialmente seria realizado no Autódromo de Interlagos – perdeu o local após a Prefeitura de São Paulo cancelar o acordo. Mesmo assim, os organizadores garantem: o show vai sair do papel. "ELE quer vir, a gente quer, vamos fazer acontecer”, afirma Guilherme Cavalcante, um dos produtores responsáveis. O cachê pago ao rapper é estimado em US$ 5 milhões (cerca de R$ 27 milhões), e, segundo Cavalcante, o investimento torna inviável cancelar o show de Kanye West no Brasil. “Não dá pra fazer em qualquer lugar, mas também não dá pra não fazer.”
Prefeitura recua e cita polêmicas do rapper
De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o motivo do veto no mês passado foi o histórico de polêmicas de Kanye West. Em nota enviada à Folha de S. Paulo, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que, quando o autódromo foi reservado, os organizadores não informaram quem seria o artista.
Após saber que se tratava de Kanye West, a administração decidiu revogar a autorização, alegando que não compactua com discursos de ódio, racismo ou apologia ao nazismo.

A gestão de Ricardo Nunes (foto em destaque) alegou que não compactua com discursos de ódio e racismo
A prefeitura também destacou que o pagamento da taxa será integralmente devolvido, conforme o contrato. O rapper norte-americano já foi acusado de declarações antissemitas e racistas, além de ter lançado a música “Heil Hitler”, banida de plataformas como YouTube e Spotify.
Organização se diz “surpresa” e fala em descaso
Para Cavalcante, a decisão da Prefeitura foi unilateral e injusta. “Foi uma sacanagem. Só pagamos o artista porque eles confirmaram o local. Como você dá uma guia de pagamento e confirma o local, num show gigantesco, caro para caramba? O descaso deles é absurdo”, disse. Ele afirma ainda que a produção se preparava para impedir qualquer manifestação de cunho nazista durante o evento.
“Em relação ao nazismo, foi respondido que é abominável. Teríamos uma força-tarefa no dia para impedir qualquer tipo de manifestação, seja do público ou do próprio artista”, explicou.
Busca por novo palco para show de Kanye West no Brasil
Com Interlagos fora do mapa, a produção tenta agora levar o show de Kanye West no Brasil para o Estádio do Morumbi, administrado pela Live Nation, que neste mês recebe nomes como Dua Lipa e Oasis. Outra opção considerada foi o Pacaembu, mas o estádio não tinha datas disponíveis.
Há também a possibilidade de Kanye entrar no lineup do festival Cena, que acontece na Neo Química Arena entre os dias 21 e 23 de novembro. O evento reúne artistas de trap e rap, como Young Thug e Skepta. Caso aceite o convite, West teria um dia dedicado exclusivamente a ele dentro do festival.
Ingressos e reembolsos
Segundo Cavalcante, 30 mil ingressos já foram vendidos até a última sexta-feira (7) para o show de Kanye West no Brasil. Ele afirma que, se o show precisar ser adiado, o público será reembolsado. Ainda assim, ele cobra responsabilidade da Prefeitura: “E se a gente não conseguir um local? E todo esse prejuízo gigantesco? É muita sacanagem.”
Enquanto tenta resolver o impasse do show de Kanye West no Brasil, o rapper também enfrenta turbulências na carreira. O artista adiou pela terceira vez o lançamento do álbum “Bully”, que deveria ter saído no dia 7. Nos Estados Unidos, ele divulgou um vídeo em que aparece pedindo desculpas públicas por suas declarações antissemitas, durante uma conversa com o rabino Yoshiyahu Yosef Pinto, em Nova York.
“Me sinto abençoado por poder sentar aqui e assumir a responsabilidade”, disse. “Eu estava lidando com questões do transtorno bipolar, que me faziam levar certas ideias ao extremo. Estes são os primeiros passos para reconstruir muros fortes.”
Ingressos e reembolsos







