Uma onda surfada pelo catarinense Vini dos Santos em 2022 em Nazaré, considerado o santuário das ondas gigantes em Portugal, pode desbancar o atual recordista e, com quase 30 metros de altura, se tornar a maior do mundo. A conclusão é de um estudo apresentado pelo oceanógrafo Douglas Nemes, no mês passado, em um congresso internacional na Espanha.
O pesquisador, que recentemente constatou o recorde brasileiro em Santa Catarina, desenvolveu técnicas próprias para medição, qualificação e análise da quebra de ondas ao longo de duas décadas.
A pesquisa foi apresentada em setembro na 4th International Workshop on Waves, Storm Surges, and Coastal Hazards em Santander, na Espanha. O estudo agora será analisado pelos critérios do Guinness Book para poder entrar no "livro dos recordes".
A onda foi surfada pelo atleta de Florianópolis em fevereiro de 2022, durante a tempestade Eunice, que atingiu o noroeste da Europa, causando mortes e danos materiais. Na época, o tamanho do mar já tinha chamado a atenção do mundo, e o surfe chegou a repercutir na imprensa internacional.
➡️ Segundo as análises de Nemes, o surfista atingiu a marca de 29,68 metros. O recorde atual é do alemão Sebastian Steudtner, que surfou uma onda de 26,21 metros na mesma praia em 2020 — reconhecimento que só foi validado pelo Guinness em 2022.
"O objetivo foi colocar novamente o método em avaliação frente a especialistas do mundo todo", comentou.
Também na expectativa do recorde, Vini dos Santos disse que sempre quis saber o tamanho da onda surfada durante o free surf, como é chamado aquele a prática por diversão, sem a pressão de competições.
"Como eu não sou especialista, entrei em contato com o professor Nemes. O resultado foi esse. Eu tinha certeza que era a maior da minha vida, mas não esperava que seria a maior onda que ele já mediu", disse.
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Metodologia
O processo que calculou a onda histórica de Vini dos Santos é embasado em números e metodologia científica, e foi desenvolvido por Nemes ao longo de duas décadas de pesquisa e milhares de ondas analisadas pelo pesquisador.
O método matemático foi o mesmo usado na identificação do recorde brasileiro, em julho, quando uma onda de 14,82 metros foi surfada por Lucas Chumbo na Laje da Jagua, em Jaguaruna (SC). O cientista levou em conta a altura do atleta e comparou com imagens da sequência.
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