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Exame de sangue detecta Alzheimer em descoberta de cientistas brasileiros Saúde

Exame de sangue detecta Alzheimer em descoberta de cientistas brasileiros

16-10-2025 • há 11 mêses

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Estudos desenvolvidos por cientistas brasileiros representam um avanço significativo no diagnóstico do Alzheimer. Exames de sangue detectaram a doença com precisão de 90% e o método poderia ser disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no futuro.  A descoberta é mérito de 23 pesquisadores, sendo oito brasileiros, com apoio do Instituto Serrapilheira. Eles analisaram mais de 110 estudos com cerca de 30 mil pessoas e confirmaram que a proteína p-tau217 é o principal biomarcador para distinguir pacientes com Alzheimer de indivíduos saudáveis.

Segundo a Agência Brasil, o exame apresentou alto nível de confiabilidade, acima do padrão de 90% recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Outro estudo na mesma linha, realizado por pesquisadores do Instituto D’Or e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), alcançou os mesmos resultados.

São duas regiões diferentes do país, com genética e características socioculturais completamente diferente e o exame funcionou muito bem”, destaca Eduardo Zimmer, pesquisador da UFRGS ouvido pela Agência Brasil.

Conforme a OMS, 57 milhões de pessoas no mundo possuem com algum tipo de demência e 60% delas são diagnosticadas com Alzheimer. No Brasil, o Relatório Nacional sobre Demência de 2024 estima cerca de 1,8 milhão de pessoas com a doença, número que pode triplicar até 2050.

Exame de sangue pode facilitar diagnóstico do Alzheimer no SUS

O teste do sangue do paciente seria uma alternativa aos outros dois exames possíveis: o exame de líquor, procedimento invasivo de punção na lombar, e a tomografia, exame de imagem do cérebro.

Os métodos, porém, são pouco acessíveis a nível de saúde pública. Segundo Eduardo Zimmer, o exame de imagem é caro para ser disponibilizado no SUS e a punção exige infraestrutura e experiência de um neurologista.

Alzheimer é transtorno neurodegenerativo que leva à morteAlzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal, caracterizado pelo prejuízo à memória e à cognição

“Tanto o exame de líquor quanto a tomografia podem ser solicitados pelo médico para o diagnóstico da doença de Alzheimer assistido por biomarcadores. O problema é que quando pensamos num país como o Brasil, continental, com 160 milhões de pessoas que dependem do SUS, como vamos fazer esses exames em larga escala?”, questiona o cientista.

O Ministério da Saúde destaca que o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e em tempo oportuno é fundamental para aliviar os sintomas da doença e estabilizar ou retardar sua progressão. Atualmente, os profissionais de saúde chegam à doença por exclusão.

O diagnóstico por exame de sangue na existe na rede privada, mas o custo do teste americano PrecivityAD2 pode chegar a R$ 3,6 mil no Brasil. Para que o novo método chegue no SUS, contudo, ainda há um longo caminho.

Baixa escolaridade aumenta risco de declínio cognitivoSegundo os pesquisadores, a baixa escolaridade é um fator de risco para a doençaFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Precisamos de várias avaliações para entender onde as análises serão feitas, quando esses exames vão ser utilizados, que população será beneficiada, se vai acelerar ou não o diagnóstico no SUS”, explica Eduardo Zimmer à Agência Brasil.

Os resultados definitivos só estarão disponíveis em cerca de dois anos. Os pesquisadores iniciarão análises em pessoas com mais de 55 anos, para mapear a fase pré-clínica do Alzheimer, quando o paciente ainda não apresenta sintomas.

Quais são os sintomas do Alzheimer? Entenda os estágios do transtorno

A cartilha do Ministério da Saúde define o Alzheimer como um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal, que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e alterações comportamentais.

A causa ainda é desconhecida e pode estar relacionada a fatores genéticos. A doença é mais comum em idosos e se instala quando o sistema nervoso central falha no processamento de algumas proteínas.

Perda da memória recente é o primeiro sintoma do AlzheimerPerda da memória recente é o primeiro sintoma da doença, que evolui de forma lenta e inexorável, 

Começam a surgir fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços entre eles. Em consequência, certas regiões do cérebro passam a perder neurônios progressivamente.

A perda de memória recente é o primeiro e mais característico sintoma da doença. Em seguida, o paciente perde memória de fatos mais antigos, apresenta irritabilidade, falhas na linguagem e dificuldade em se orientar no espaço e no tempo.

Conheça os estágios do Alzheimer, segundo o Ministério da Saúde:

  1. Forma inicial: Alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais;
  2. Forma moderada: Dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Agitação e insônia;
  3. Forma grave: Resistência à execução de tarefas diárias. Incontinência urinária e fecal. Dificuldade para comer. Deficiência motora progressiva;
  4. Terminal: Restrição ao leito. Mutismo. Dor à deglutição. Infecções intercorrentes.

Exame de sangue detecta Alzheimer com mais de 90% de precisão


Palavras-chave
Infecções intercorrentes.



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