Um recurso de apelação para o aumento da pena do oficial de cartório condenado pela morte da modelo Isadora Viana Costa foi interposto pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina). O homem foi sentenciado a 12 anos de prisão, em 3 de setembro de 2025, por matar a namorada em Imbituba, no Sul de Santa Catarina, em 2018. Na ocasião do julgamento, o Tribunal do Júri reconheceu o homicídio qualificado por feminicídio, ainda na vigência anterior à Lei nº 14.994/2024, que torna o ato um crime autônomo.
No recurso, o MPSC requer o aumento da pena-base, sustentando que o réu estava consciente do que fazia — o que torna sua culpa mais grave — e que isso deveria ter sido considerado de forma negativa na sentença.
Caso Isadora: MPSC aponta que vítima foi levada ao hospital sem identificação
MPSC aponta que vítima foi levada ao hospital sem identificação e sem a presença de conhecidos Foto: Justiça para Isadora/Facebook
O oficial de cartório teria cometido o crime de modo a induzir Isadora ao uso excessivo de drogas nos dias anteriores ao ato, praticado o homicídio sob efeito de cocaína e deixado de acompanhá-la até o hospital, para onde ela foi levada sem identificação e sem a presença de conhecidos.
O MPSC também destaca a grande diferença de força física entre o réu e a vítima, já que o homem praticava jiu-jítsu, o que dificultou a defesa de Isadora. Segundo o recurso, a personalidade do agente público também deve ser analisada, uma vez que foram registradas ligações telefônicas entre ele e a vítima nas quais o acusado demonstrava agressividade.
Acusado xingou delegado responsável pelo caso em um grupo de mensagens
Acusado xingou delegado responsável pelo caso em um grupo de mensagens
O homem também teria sido hostil com autoridades policiais, especialmente com o delegado responsável pela investigação do caso Isadora, chegando a ofendê-lo em grupos de mensagens e em uma ocasião em que esteve no apartamento ao lado do delegado, aproveitando-se da proximidade para xingar o investigador.
Na época do ocorrido, Isadora tinha 22 anos e havia deixado os pais e a irmã gêmea na cidade natal, Santa Maria (RS), para morar com o namorado de 36 anos em Imbituba (SC). Essa distância da família também foi um ponto levantado pelo Ministério Público.
O recurso foi interposto em 15 de setembro e aguarda julgamento pelo TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina).
Paulo Xisto foi sentenciado a 12 anos de prisão em 3 de setembro de 2025Foto: Divulgação
A defesa de Paulo Xisto confirmou que já foi notificada sobre o recurso apresentado pelo Ministério Público e informou que apresentou sua impugnação, afirmando “discordar integralmente dos fundamentos expostos”.
De acordo com os advogados do réu “não há base jurídica para aumentar a pena aplicada pela juíza de Imbituba”. A defesa também reforçou que entrou com um recurso pedindo a anulação do julgamento e que mantém a posição de que o cliente é inocente.
Relembre o caso Isadora
Isadora tinha medo do comportamento de Paulo Xisto, especialmente quando ele consumia álcool e drogas
O crime ocorreu na manhã de 8 de maio de 2018, no apartamento do servidor público em Imbituba. Na noite anterior, o casal havia consumido drogas e álcool, quando o homem teria passado mal e espumado pela boca. Após a situação, por volta das 6h, Isadora ligou para a irmã do réu pedindo ajuda, informando que o namorado passava mal em razão do uso de entorpecentes.
O pedido de socorro teria irritado o acusado, que não queria que a família soubesse do consumo de drogas. Quando os familiares chegaram ao apartamento, o oficial de cartório já estava trancado no quarto.
Cerca de 30 minutos depois, já sozinho com a vítima, o homem a imobilizou e passou a agredi-la, provocando um trauma abdominal que causou a ruptura da veia cava. A perícia afastou a hipótese levantada pela defesa de que Isadora teria morrido em decorrência de overdose.
Tese de overdose foi descartada pelos médicos
Defesa argumenta que modelo havia morrido de overdose, mas ela não apresentava sinais de convulsão
Mesmo diante da gravidade das agressões, o réu demorou a acionar socorro. Entre 7h15 e 7h30, ele fez duas ligações a um amigo médico, relatando que a namorada estaria convulsionando e apenas em seguida acionou o serviço de emergência. Quando os socorristas chegaram ao apartamento, a vítima estava inconsciente, mas sem sinais de convulsão.
Encaminhada ao hospital, Isadora não resistiu aos ferimentos. O médico de plantão, ao perceber que o quadro não correspondia à versão do acusado, acionou a Polícia Civil, que iniciou as investigações e reuniu as provas que resultaram na condenação.
Isadora havia relatado a amigas que sentia medo do namorado – Foto: Justiça para Isadora
O homem ainda teria se encontrado com uma amiga no hospital e pedido para que ela fosse até o apartamento retirar um lençol sujo de sangue e outros objetos, como garrafas e bebidas.
Durante o julgamento, amigas da vítima relataram episódios em que Isadora demonstrava medo do comportamento do réu, especialmente quando ele consumia álcool e drogas. Delegados que atuaram no caso também foram ouvidos e detalharam as provas que confirmaram o crime.
Palavras-chaveque confirmaram o crime.





