A PF (Polícia Federal) prepara um relatório com informações sobre seis ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) mencionados no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O documento é aguardado pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, que pretende levar o caso ao plenário antes do fim de 2026. Segundo apuração do UOL, o material deve reunir referências a Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux e Gilmar Mendes. A intenção é que, após uma manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República), os ministros decidam em conjunto como tratar as informações encontradas no aparelho do banqueiro. As menções, por si só, não indicam envolvimento em irregularidades.
O caso está entre os processos que podem voltar à pauta do Supremo após as eleições, ao lado de uma disputa entre Moraes e Mendonça e da revisão criminal apresentada pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

STF aguarda relatório da Polícia Federal com referências a seis ministros encontradas no celular de Daniel Vorcaro
O que se sabe sobre o relatório da PF envolvendo seis ministros do STF
As investigações relacionadas ao Banco Master estão paralisadas no Supremo desde setembro, após a Polícia Federal identificar conversas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de um relatório que apontava Moraes como interlocutor do banqueiro. A PGR, no entanto, questionou a validade do documento e defendeu sua anulação.
O assunto chegou ao plenário em 15 de setembro, quando os ministros começaram a discutir se o caso deveria ser analisado junto a um pedido de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça.
A discussão foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino. O prazo de 90 dias termina em 16 de dezembro, quando o processo poderá ser liberado para julgamento.
Enquanto isso, Fachin aguarda o novo relatório da PF para que o Supremo tenha uma visão mais ampla das menções aos integrantes da Corte.
Presidente do STF, Edson Fachin, aguarda novo relatório da Polícia Federal para definir os próximos passos das investigações sobre o Banco Master
Moraes pediu investigação contra André Mendonça
A divulgação das conversas entre Vorcaro e Moraes também provocou uma disputa entre os dois ministros.
Em 3 de setembro, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por suspeitas de abuso de autoridade e improbidade administrativa. Ele alegou que o colega teria agido com interesses políticos na condução de investigações sobre fraudes no Banco Master e no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O pedido teve como base um relatório de inteligência sem assinatura da Polícia Federal.
Inicialmente, a análise estava prevista para 23 de setembro, mas acabou retirada da pauta enquanto o STF discutia a possibilidade de reunir os dois processos.
Em 19 de outubro, a PGR se posicionou contra a abertura da investigação, por considerar que o documento utilizado não tem validade como prova.
Disputa também envolve o comando da Polícia Federal
Outro processo ligado ao caso envolve Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, que teve seu afastamento determinado por André Mendonça.
O ministro alegou que Rodrigues teria utilizado a estrutura da corporação para espioná-lo por meio de relatórios de inteligência.
A decisão, porém, foi suspensa por Fachin, permitindo que o diretor-geral permanecesse no cargo.
Andrei Rodrigues permanece no comando da Polícia Federal após Fachin suspender a decisão de André Mendonça que determinava seu afastamento
A PGR também defendeu sua manutenção, argumentando que a escolha do chefe da Polícia Federal cabe exclusivamente ao presidente da República. Segundo o órgão, os relatórios questionados eram documentos internos, encaminhados apenas por determinação de Moraes.O processo já recebeu as manifestações das partes e aguarda análise do plenário.
STF também pode analisar revisão da condenação de Bolsonaro
Além dos desdobramentos do caso Master, o Supremo deve enfrentar outro julgamento de grande repercussão antes do recesso de dezembro: o pedido de revisão criminal de Jair Bolsonaro.
Condenado por golpe de Estado em setembro de 2025, o ex-presidente tenta reverter a decisão por meio de um recurso apresentado após o trânsito em julgado.
A relatoria está com Kassio Nunes Marques, que solicitou uma manifestação da PGR em 28 de outubro.
A revisão será analisada apenas pelos cinco ministros que não participaram do julgamento original: Nunes Marques, Luiz Edson Fachin, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e André Mendonça.O grupo poderá avaliar eventuais ilegalidades apontadas pela defesa e decidir se existem fundamentos para modificar a condenação.
Palavras-chavefundamentos para modificar a condenação.





