A empresária também afirmou que pretende formalizar a colaboração quando houver condições legais para isso. Segundo ela, a intenção de fazer uma delação está relacionada à possibilidade de apresentar sua versão dos fatos e contribuir com as autoridades.
Roberta alegou ainda que está sendo alvo de uma mobilização da máquina pública e afirmou que pretende responder às acusações dentro do devido processo legal.
“Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, não tenho mãe presidente. Eu sou uma mulher com duas filhas e estou tendo uma máquina pública sendo movimentada em cima de mim”, afirmou.
A eventual colaboração premiada depende dos procedimentos legais aplicáveis e da avaliação das autoridades competentes. As declarações da empresária, por si só, não comprovam as suspeitas mencionadas.
Roberta afirma que Lulinha se reuniu com ministros
Durante a entrevista, Roberta também contestou declarações de Lula sobre a relação entre ela e integrantes do governo federal. A empresária afirmou que Lulinha se reuniu inúmeras vezes com ministros durante o governo do pai.
Ela criticou o presidente por negar ou questionar aspectos dessa relação e afirmou que pessoas que frequentavam sua casa também deveriam responder por suas próprias condutas, caso houvesse irregularidades.
“Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu”, declarou.
Roberta também relatou que já apoiou Lula politicamente e disse ter se sentido ofendida pelas declarações públicas do presidente a seu respeito.
A empresária afirmou que não pretende assumir sozinha a responsabilidade por eventuais irregularidades e que, caso seja comprovado algum crime de sua parte, responderá perante a Justiça.
Lula já chamou empresária de “pilantra”
Em entrevistas anteriores, Lula se referiu a Roberta como “pilantra” e a comparou ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Na ocasião, o presidente afirmou que, na avaliação dele, a empresária teria enganado diversas pessoas, fazendo uma comparação com o empresário investigado por suspeitas de crimes financeiros.
Na entrevista à CNN Brasil, Roberta reagiu às declarações e acusou o presidente de agir com má-fé ao atacá-la publicamente. Ela também afirmou que não quer ser responsabilizada por todos os fatos investigados.
Governo e defesa de Lulinha negam acusações
Em nota divulgada por sua equipe de comunicação, Lula afirmou desconhecer os fatos relatados por Roberta Luchsinger. O presidente declarou que nunca manteve interlocução com a empresária, não recebeu demandas dela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas.
A manifestação também destacou que não existe contrato entre o governo federal e Roberta. Além disso, a equipe do presidente questionou o momento em que as declarações foram divulgadas, às vésperas do segundo turno eleitoral, e afirmou que denúncias sem comprovação podem ser utilizadas para influenciar a opinião pública.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva também negou qualquer irregularidade. Segundo a nota, os dados bancários, fiscais e telemáticos de Lulinha foram disponibilizados às autoridades, e ele se colocou à disposição para colaborar com as investigações.
A defesa sustentou que a relação dele com políticos, inclusive aqueles que se tornaram ministros, é de natureza pessoal e decorre de vínculos anteriores, sem qualquer troca ilegal ou atuação contrária ao interesse público.
Os advogados também afirmaram que as declarações públicas de Roberta são incompatíveis com o depoimento prestado por ela às autoridades. A defesa questionou os rumos da investigação, alegou que houve direcionamento e vazamentos ilegais e declarou que Lulinha comprovará sua inocência no processo.

Oposição pede proteção para Roberta e suas filhas
As declarações da empresária provocaram reações de parlamentares da oposição. Após a exibição da entrevista, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou ter solicitado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a inclusão de Roberta e de suas duas filhas em um programa de proteção a testemunhas.
O deputado Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, também anunciou pedidos de proteção junto a diferentes órgãos públicos, incluindo a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e a Procuradoria-Geral da República.
Segundo o parlamentar, as solicitações buscam garantir a segurança da empresária diante das declarações feitas durante a entrevista. Ele afirmou que a oposição não pretende esperar uma decisão do governo para cobrar providências.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência pelo partido, também compartilhou trechos da entrevista nas redes sociais e divulgou publicações relacionadas às declarações de Roberta.
Até o momento, os pedidos de proteção mencionados pelos parlamentares não significam, por si só, que a empresária tenha sido oficialmente incluída em um programa de proteção.
Investigação segue em andamento
A Operação Sem Desconto investiga um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. No contexto das apurações, Roberta Luchsinger foi alvo de medidas judiciais, incluindo busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e monitoramento eletrônico.
A empresária afirma que deseja colaborar com as autoridades e apresentar informações que, segundo ela, podem contribuir para esclarecer os fatos. Lula e Lulinha, por sua vez, negam as acusações e contestam as declarações feitas publicamente.
Palavras-chavedeclarações feitas publicamente.





