A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) rejeitou nesta terça-feira (13) qualquer possibilidade de acordo político para evitar investigações ou processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em discurso no plenário do Senado, a parlamentar afirmou que não aceitará negociações em nome da governabilidade e cobrou a responsabilização individual dos magistrados.“Não tem acordo, as condutas serão investigadas. Não contem comigo para qualquer tentativa de acordo com S. Exas., lá do outro lado, que violaram direitos humanos o tempo todo”, declarou. A manifestação ocorreu após a senadora afirmar ter lido notícias sobre possíveis conversas entre integrantes do Supremo e senadores para reduzir as tensões entre as instituições diante de pedidos de impeachment que podem entrar na pauta da Casa.Damares também direcionou um recado aos parlamentares eleitos para a próxima legislatura. “Nenhum passo atrás!”, disse, ao defender que os senadores cumpram os compromissos assumidos com os eleitores.
Damares cita inquéritos, morte de Clezão e suspeitas de corrupção
Ao justificar a oposição a um eventual entendimento com o STF, a senadora mencionou o que classificou como “inquéritos intermináveis”, além de alegações de perseguição política contra apoiadores da direita, excesso de penas e condenações de pessoas que considera inocentes.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Período do expediente.Em discurso, à tribuna, senadora Damares Alves (Republicanos-DF)
Damares também citou a morte de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, que morreu em novembro de 2023 enquanto estava preso na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, após ser detido pelos atos de 8 de janeiro.
A parlamentar afirmou ainda que eventuais investigações devem alcançar suspeitas relacionadas a contratos de familiares de ministros e mensagens trocadas entre magistrados e pessoas investigadas por corrupção.
As declarações representam as acusações e avaliações políticas da senadora. A apuração de responsabilidades individuais depende da análise dos fatos e dos procedimentos legais cabíveis.
Senadora afirma ter sido impedida de divulgar absolvição
Durante o discurso, Damares relatou um episódio pessoal envolvendo um inquérito que tramitou no STF. Segundo ela, após ser absolvida, recebeu uma determinação para manter a decisão sob sigilo, o que a impediu de comunicar publicamente o resultado.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Período do expediente.Em discurso, à tribuna, senadora Damares Alves (Republicanos-DF) exibe matéria do portal Opera Mundi.
A senadora leu um trecho da determinação judicial que, conforme sua apresentação, advertia sobre a responsabilização penal de quem descumprisse a proibição de publicidade.
“Eu não posso falar que fui absolvida. Isso é censura ou não é, gente?”, questionou.
Damares argumentou que a restrição prejudicou sua imagem perante os eleitores do Distrito Federal e afirmou que a divulgação da absolvição poderia ter repercussões no cenário eleitoral de 2026.
“Está absolvida, mas não diga para ninguém que você está absolvida”, declarou, ao resumir o que considera uma contradição na decisão judicial.A senadora usou o episódio para reforçar a defesa de investigações sobre a atuação de ministros do Supremo na próxima legislatura. Ela também afirmou que magistrados considerados inocentes não teriam motivo para temer a apuração de suas condutas.
Damares cobra investigação sobre suspeitas de tráfico humano
Na parte final do pronunciamento, a senadora abordou denúncias relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e a uma suposta rede de prostituição que, segundo reportagens mencionadas por ela, teria recrutado refugiadas ucranianas para festas frequentadas por pessoas influentes.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Período do expediente.Em discurso, à tribuna, senadora Damares Alves (Republicanos-DF)
Damares relacionou o tema às discussões realizadas na CPMI do INSS e afirmou que pretende cobrar esclarecimentos sobre possíveis crimes de exploração sexual e tráfico de pessoas.
“Houve tráfico de mulheres ou não houve tráfico de mulheres? Houve exploração de mulheres ou não houve?”, questionou.
A parlamentar defendeu que o Senado investigue as denúncias por meio da Comissão de Fiscalização e Controle, onde, segundo ela, existe uma proposta de apuração que chamou de “mini CPI” para examinar os fatos relacionados ao caso Master.
“Esta Casa não vai poder se omitir”, afirmou.
Palavras-chavecontradição na decisão judicial.





