Nesta quinta-feira (3), o partido Novo protocolou um pedido de prisão preventiva contra o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, após a revelação de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. O pedido complementa um documento enviado nesta quarta-feira (2) pelo partido, que solicitava o afastamento do diretor-geral da PF do cargo. As duas solicitações dizem respeito ao inquérito que teve o sigilo quebrado na terça-feira (1º) pelo ministro do STF André Mendonça, expondo uma relação de proximidade, possível interferência em investigações e obtenção de informações privilegiadas. A solicitação também acontece por conta de relatos sobre um depoimento reservado de Vorcaro, no qual o ex-banqueiro diz que a sua delação premiada foi impedida por blindagem a Andrei Rodrigues. Realizado em uma oitiva sem a participação da Polícia Federal, no depoimento reservado de Vorcaro ao gabinete de Mendonça, o ex-banqueiro teria relatado ameaças de agentes da corporação que, segundo ele, agiriam em nome de Andrei. De acordo com o Novo, o objetivo destas ameaças seria impedir o avanço de uma eventual delação premiada na qual Andrei Rodrigues poderia ser citado. Segundo o requerimento apresentado pelo partido, existem indícios que apontam para o crime de impedimento ou embaraço de investigação criminal que envolva organização criminosa, além de corrupção passiva e advocacia administrativa.
Daniel Vorcaro afirmou que teve uma convivência no passado com Andrei Rodrigues antes da Operação Compliance Zero ser deflagrada, e que por isso, na visão do ex-banqueiro, os delegados da Polícia Federal não quiseram escutá-lo.
“O próprio diretor‐geral, o Andrei, que viajou para eventos comigo, com namorada, teve ingressos, teve uma relação pretérita a esse caso, especificamente. E aí, depois, os delegados que estão fazendo a colaboração, que estão escutando o que eu tenho para falar, não quiseram escutar, não quiseram fazer. Então […] o meu receio maior também é sobre isso, e acho que vocês vão de convir comigo o motivo pelo qual eu tenho bastante receio, mas esse exemplo de situações que aconteceram de modo pretérito, anterior à operação, são, também, das causas que me fazem acreditar que as intimidações ou a ausência de interesse em escutar a minha colaboração quando [ininteligível]”.
Preso desde novembro, Vorcaro teve sua proposta de delação recusada tanto pela Polícia Federal como pela PGR (Procuradoria-Geral da República), sob a alegação de omissão de informações.
Segundo o ex-banqueiro, não existiu abertura para ele ser escutado, além de haver pessoas que, de acordo com ele, não queriam expor os fatos que teria para revelar. Durante depoimento ao gabinete de Mendonça, Vorcaro relatou sofrer ameaças na prisão.
O ex-dono do Banco Master afirmou ainda que uma eventual delação premiada envolve “pessoas de um núcleo político”, colocando-se a disposição para citar outros integrantes do governo federal.
Mensagem de 2025 cita nome de Andrei Rodrigues
Em uma mensagem de 30 de outubro de 2025, Daniel Vorcaro aprova a situação econômica do Banco Master, mas demonstra preocupação diante de informações recebidas de integrantes do BC (Banco Central).
Requerimento entregue ao STF complementa pedido que solicitava o afastamento de Andrei do cargo.
Vorcaro diz que os diretores do órgão estariam sob pressão da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal) para tomarem uma atitude contra o Banco Master.
“É importante reforçar com Andrei [diretor-geral da PF] e Paulo [diretor-geral da PGR] para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco. Estou disponível para tratar e explicar qualquer coisa, só não pode ter sacanagem. Vou mandar os nomes que têm ido ao Bacen alegando que farão algo em breve”, afirmou Vorcaro em mensagem.
PGR pede arquivamento das denúncias de Vorcaro
Na quarta-feira (2), a PGR solicitou o arquivamento das denúncias feitas por Vorcaro, onde os advogados do ex-banqueiro alegaram que ele vinha sofrendo “graves intimidações”. Na manifestação enviada ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Vorcaro não apresentou fatos concretos nem elementos mínimos que sustentassem as acusações.
Procurador-geral da República, Paulo Gonet.Foto: Rosinei Coutinho/STF
Gonet também mencionou uma tentativa anterior de Vorcaro de fechar um acordo de colaboração premiada; segundo a PGR, a proposta já havia sido rejeitada pela autoridade policial por não trazer informações inéditas. Além da Procuradoria-Geral da República, o próprio Ministério Público também recusou o acordo ao considerar frágil o conteúdo apresentado pelo ex-banqueiro.
Gonet solicitou a nulidade da investigação da PF
Na noite desta terça-feira (1º), dia em que o relatório da Polícia Federal que investigava as mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes veio à tona, Paulo Gonet solicitou a nulidade das apurações.
Gonet e ministro Alexandre de Moraes
Para o PGR, o aprofundamento da investigação só poderia acontecer após autorização do plenário da Corte, onde uma eventual investigação contra Moraes deveria ser direcionada ao presidente do STF, Edson Fachin. Este levaria o caso ao plenário, e não diretamente para execução da Polícia Federal.
“A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula, por exceder os limites de competência do magistrado na fase pré-processual”, disse o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Palavras-chaveA ordem dada à autoridade





