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EUA anunciam nova tarifa de 12,5% contra o Brasil por falhas no combate ao trabalho escravo em importações Política

EUA anunciam nova tarifa de 12,5% contra o Brasil por falhas no combate ao trabalho escravo em importações

23-07-2026 há 1 dia

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O governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos exportados pelo Brasil. A medida é o desfecho de uma investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, com foco no combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos. A decisão foi formalizada pela embaixador Jamieson Greer por determinação do presidente Donald Trump. O Brasil foi enquadrado no grupo de economias penalizadas por não implementar ou fiscalizar de forma efetiva restrições à entrada de bens produzidos com mão de obra análoga à escravidão originários de outros países. O governo Lula lançou o Plano Brasil Soberano para enfrentar o tarifaço. “O presidente Trump reconhece que décadas de persuasão moral não erradicaram o trabalho forçado das cadeias de suprimentos globais. Os Estados Unidos têm uma proibição de importação de produtos com trabalho forçado há quase um século e a aplicam rigorosamente; já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo”, declarou o embaixador Jamieson Greer.

EUA impõem nova taxa de 12,5% ao Brasil sob a Seção 301. Medida atinge exportações por falhas no combate ao trabalho forçado em importaçõesFoto: Creative Commons/Reprodução/ND Mais

EUA impõem nova taxa de 12,5% ao Brasil sob a Seção 301. Medida atinge exportações por falhas no combate ao trabalho forçado em importações

Tarifaço dos EUA: Entenda a investigação e a Seção 301

O processo foi iniciado em 12 de março de 2026 e abrangeu 60 economias. A Seção 301 permite que o governo norte-americano responda a práticas comerciais estrangeiras consideradas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias que imponham barreiras ao comércio dos EUA. Antes do anúncio final, o órgão realizou duas rodadas de audiências públicas, em abril e julho, ouviu mais de 100 testemunhas e analisou mais de 3.700 comentários e contribuições por escrito. Além disso, a diplomacia norte-americana manteve consultas diretas com mais de 45 governos.

Em 2 de junho, o USTR já havia determinado que a omissão de diversos países em banir bens feitos com trabalho forçado criava um ambiente assimétrico e prejudicial aos trabalhadores e empresas americanas.

Seção 301 representada por documentos legais, porto comercial e contêineres de exportação.Foto: Imagem gerada por IA/ND MaisSeção 301 representada por documentos legais, porto comercial e contêineres de exportação.

Divisão de tarifas e a situação do Brasil

As alíquotas impostas pelo USTR foram fatiadas de acordo com o nível de conformidade de cada nação: 

  • Tarifa de 10%: Aplicada a economias que já possuem proibição legal contra trabalho forçado, firmaram Acordo sobre Comércio Recíproco ou possuem regimes parciais efetivos (incluindo Argentina, Canadá, México, Reino Unido e Índia).
  • Tarifa de 10% a 12,5%: Aplicada a produtos específicos de economias como União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Suíça.
  • Tarifa de 12,5%: Alíquota máxima destinada a todas as outras economias investigadas, grupo no qual o Brasil foi incluído.

Apesar da sobretaxa ampla, o USTR abriu exceções pontuais para matérias-primas essenciais sem substituto no mercado interno dos EUA e produtos que pudessem causar desabastecimento em larga escala.

Cenário de pressão sobre o comércio e economia

A nova alíquota adiciona pressão sobre as exportações nacionais em um momento delicado nas relações bilaterais, somando-se a restrições tarifárias impostas anteriormente.

A Seção 301 é o instrumento legal utilizado pelos Estados Unidos para justificar o tarifaço contra produtos brasileiros.Foto: Imagem gerada por IA/ND Mais

A Seção 301 é o instrumento legal utilizado pelos Estados Unidos para justificar o tarifaço contra produtos brasileiros.

Analistas apontam que a sequência de barreiras impostas por Washington coloca à prova a capacidade de reação diplomática e comercial do governo brasileiro, reacendendo debates sobre a necessidade de ajustes nas políticas de comércio exterior para conter riscos de recessão ou impactos localizados em setores exportadores. 

Setores atingidos pelo tarifaço dos EUA

A regra incide sobre a grande maioria da pauta exportadora brasileira para os EUA, cobrindo:

  • Produtos Agrícolas e Alimentícios: Café, açúcar, suco de laranja, carnes e derivados, frutos do mar e produtos alimentícios processados.
  • Bens de Consumo e Manufaturados: Calçados, têxteis, móveis, cosméticos, artefatos de couro e papel/celulose.
  • Insumos Industriais e Máquinas: Produtos siderúrgicos (aço e alumínio), máquinas, equipamentos elétricos, peças automotivas, petroquímicos e plásticos.

 Exceções e Produtos Isentos pelo tarifaço dos EUA

O governo norte-americano definiu isenções específicas para itens que não sofrerão a incidência dessa nova alíquota de 12,5%. As exceções cobrem:

  • Matérias-Primas Críticas: Insumos básicos que, se taxados, causariam indisponibilidade no fornecimento interno dos EUA.
  • Produtos de Abastecimento Essencial: Itens que não podem ser cultivados, extraídos ou produzidos em quantidades suficientes (ou a preços razoáveis) nos Estados Unidos e que não têm fornecedores alternativos no mercado global.
  • Bens de Alto Impacto Sistêmico: Produtos cuja taxação causaria forte perturbação ou inflação em toda a economia norte-americana.
  • Artigos Neutros: Produtos cuja tarifa não contribuiria substancialmente para o objetivo da investigação comercial.

Palavras-chave
objetivo da investigação comercial.



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