A concessionária CCR ViaCosteira aguarda há cerca de três anos o envio de documentos considerados essenciais sobre a construção da Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, no Sul de Santa Catarina. A informação foi apresentada nesta terça-feira (14) pelo deputado estadual Mário Motta (PSD), durante pronunciamento na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina). Com base em documentos públicos obtidos pelo gabinete parlamentar, Motta afirmou que a concessionária solicita desde 2023 ao DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) registros técnicos da construção da ponte para auxiliar na identificação das causas dos problemas estruturais constatados recentemente.
A Ponte Anita Garibaldi está totalmente interditada desde o dia 9 de julho, após a identificação de uma anomalia em uma das cordoalhas da estrutura.
Equipes trabalham 24 horas por dia com objetivo de liberar a principal via até o dia 20 de julho
Pedidos de documentos da Ponte Anita Garibaldi foram feitos desde 2023
Segundo o parlamentar, em maio de 2023, a CCR ViaCosteira e a empresa de consultoria contratada para acompanhar a estrutura comunicaram oficialmente à ANTT que o projeto As Built, fornecido pelo DNIT, não continha informações suficientes sobre a execução da obra. Na ocasião, a concessionária solicitou acesso a documentos como diários de obra, boletins de campo, informações sobre o fechamento do vão central, ajustes realizados nos estais e outros registros considerados fundamentais para compreender o comportamento estrutural da ponte. De acordo com Mário Motta, esses pedidos vêm sendo reiterados desde então.
Ponte Anita Garibaldi comemora aniversário em meio à interdição
Solicitação voltou a ser feita dias antes da interdição
O deputado revelou ainda que a cobrança reapareceu na ata de uma reunião realizada em 6 de julho de 2026, apenas três dias antes da interdição total da ponte. Segundo o documento, a concessionária voltou a informar que busca os registros e recebeu da ANTT o compromisso de solicitar apoio ao DNIT para localizar a documentação.
Até o momento, conforme a apuração apresentada pelo parlamentar, os documentos ainda não foram disponibilizados integralmente.
Ponte Anita Garibaldi está passando por reparos emergenciais
Problemas estruturais levaram ao bloqueio
Durante o pronunciamento, Mário Motta também detalhou a sequência de fatos que antecedeu a interdição da ponte.
Segundo ele, no fim de junho a concessionária comunicou à ANTT a necessidade de restringir por aproximadamente seis meses a circulação de cargas especiais acima de dez toneladas por eixo, após identificar uma abertura de 2,5 milímetros entre aduelas em um dos vãos laterais da estrutura.
Dias depois, novos ensaios técnicos realizados em 8 de julho identificaram o rompimento de cabos de protensão na junta entre as aduelas A6 e A7 do vão central, situação que motivou a interdição total da Ponte Anita Garibaldi.
Ponte Anita Garibaldi possui cerca de 2,8 quilômetros de extensão e 24 metros de largura
Imagem levantou novos questionamentos
Outro ponto apresentado pelo deputado foi uma fotografia registrada na fase final da construção da ponte.
Segundo Mário Motta, a imagem mostraria um desnível no momento imediatamente anterior ao fechamento do vão central, situação que, conforme ele, não estaria registrada na documentação As Built disponibilizada.
O parlamentar também mencionou hipóteses técnicas presentes em relatório posteriormente utilizado pela própria concessionária, indicando que soluções adotadas durante a execução da obra poderiam ter influência no comportamento estrutural da ponte.
Interdição da Ponte Anita Garibaldi pode impactar negativamente o setor logístico de Santa Catarina
Deputado protocola moção e cobra órgãos federais
Diante da situação, Mário Motta informou que protocolou uma Moção de Apelo ao DNIT e à ANTT, solicitando que os órgãos localizem, preservem e disponibilizem toda a documentação referente à construção da Ponte Anita Garibaldi.
O deputado afirmou ainda que avalia novas medidas institucionais, argumentando que a ausência desses documentos pode comprometer a fiscalização da obra, o processo de recebimento da estrutura e a preservação do patrimônio público.
“Todas essas respostas deveriam estar na mesa da concessionária há anos. Se elas já tivessem sido respondidas, talvez não estaríamos precisando enfrentar essa dolorosa paralisação do trânsito na ponte. O que nós estamos apurando é uma verdadeira falta de respeito com o catarinense. A ANTT e o DNIT precisam ser responsabilizados por todo esse prejuízo que o estado está enfrentando”, declarou o parlamentar.
Palavras-chavedeclarou o parlamentar.





