A Pública Tecnologia, empresa de Blumenau, no Vale do Itajaí, que foi alvo de mandados de busca e apreensão na manhã de quinta-feira (9), é especialista em desenvolvimento de sistemas para gestão pública. A investigação envolve uma organização criminosa volta à fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro. A reportagem manteve contato com a empresa e acompanhou a ação da Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas). Segundo a equipe, a operação estava em andamento. Os funcionários que estavam chegando à empresa para trabalhar precisaram se retirar por conta da operação. A empresa Pública Tecnologia atende mais de 100 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Paraná e Santa Catarina. A reportagem entrou em contato com a empresa, mas não recebeu um retorno até a publicação da matéria.
O espaço segue aberto para pronunciamento da empresa.
Empresa é especialista no desenvolvimento de softwares para gestão pública.
Empresa de Blumenau alvo de operação é suspeita de participar de esquema milionário
A operação investigou um período entre 2022 e 2026, sendo identificadas centenas de movimentações bancárias incompatíveis com a atividade empresarial regular, somando milhões de reais.
Foram cumpridos 17 mandados de prisão nas cidades de Blumenau, sede da empresa investigada, Rio do Sul, Lages, Penha, Balneário Camboriú, Canoinhas e Irani, todos endereços dos alvos.
A megaoperação “Gaiola Digital” foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) e o GEAC (Grupo Especial Anticorrupção).
Como funcionava o método de fraudes?
De acordo com MPSC, o método consistiria na aproximação prévia de agentes públicos, na elaboração ou influência sobre editais, na inserção de cláusulas restritivas à competitividade e no uso de critérios técnicos moldados para favorecer uma empresa previamente escolhida, além do pagamento de vantagens indevidas para a obtenção, manutenção e renovação de contratos públicos.
As investigações apontam que o esquema teria estrutura organizada, com divisão de tarefas entre núcleos responsáveis pela articulação com agentes públicos, pela elaboração de documentos técnicos, pela operacionalização de pagamentos indevidos e pela movimentação financeira voltada à ocultação da origem e do destino dos recursos.
Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por meio de saques fracionados e de operações financeiras destinadas à formação de um caixa clandestino usados no pagamento de propinas.
Somente no período investigado, entre 2022 e 2026, foram identificadas centenas de movimentações bancárias incompatíveis com a atividade empresarial regular, somando milhões de reais.
Os mandados de busca e apreensão têm como objetivo coletar e preservar provas, incluindo documentos, equipamentos eletrônicos, registros digitais e outros elementos relevantes.
Operação “Gaiola Digital”
O nome “Gaiola Digital” faz referência ao ambiente tecnológico utilizado como instrumento para a perpetuação do esquema investigado, que, segundo apurado, teria capturado e restringido a livre concorrência em processos licitatórios voltados à contratação de sistemas informatizados para a administração pública.
Palavras-chavepara a administração pública.





