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'Não tenho esses detalhes’, diz presidente do BRB sobre visitas de Daniel Vorcaro ao banco Desvio

'Não tenho esses detalhes’, diz presidente do BRB sobre visitas de Daniel Vorcaro ao banco

09-06-2026 há 15 horas

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O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira (9) que não sabe quantas vezes o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, esteve na sede da instituição financeira. A declaração foi dada durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, convocada para discutir os impactos da crise do Master sobre o banco estatal do Distrito Federal.

Questionado por parlamentares sobre a relação entre o BRB e Vorcaro, Souza respondeu de forma direta:

“Não, não tenho realmente esses detalhes.”

A audiência ocorreu em meio ao avanço das investigações sobre as operações entre o BRB e o Banco Master, que resultaram em um rombo estimado em R$ 8,8 bilhões e levaram o governo do Distrito Federal a estruturar uma operação financeira inédita para evitar a liquidação da instituição pelo Banco Central. 

Ligação entre Master e BRB chegou a 23,5% das ações

Durante a sessão, Nelson de Souza confirmou que pessoas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro chegaram a controlar 23,5% das ações do BRB. Segundo ele, a atual administração conseguiu obter na Justiça o arresto dessa participação societária.“Conseguimos um arresto de 23,5% das ações que estavam em poder, não digo do Vorcaro, mas do grupo”afirmou.O presidente também informou que o banco buscará o ressarcimento judicial dos prejuízos e pretende responsabilizar ex-administradores envolvidos nas operações investigadas.

CAE recebe o presidente do BRB

                                     CAE recebe o presidente do BRB

BRB admite prejuízo de R$ 8,8 bilhões

Ao longo da audiência, Nelson de Souza reconheceu que os negócios firmados entre BRB e Banco Master movimentaram cerca de R$ 30 bilhões entre 2024 e 2025. 

Segundo ele, R$ 21,9 bilhões permaneceram contabilizados como ativos do banco estatal. Parte dessas operações está sob investigação após a Polícia Federal apontar a aquisição de aproximadamente R$ 12 bilhões em carteiras consideradas de baixa recuperação.

O prejuízo consolidado foi estimado em R$ 8,8 bilhões.

“O BRB foi a maior vítima dessa fraude. Fomos o banco mais fraudado nesse episódio” declarou.

Socorro financeiro prevê aporte de R$ 8,8 bilhões

Para evitar uma intervenção do Banco Central, o governo do Distrito Federal negocia uma operação de capitalização do BRB. O plano prevê:

  • R$ 6,6 bilhões por meio de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
  • R$ 2,2 bilhões provenientes da securitização da dívida ativa do Distrito Federal.

Segundo Souza, os recursos permitirão que o banco volte a cumprir todos os índices regulatórios exigidos pelo sistema financeiro.“Esse aporte vai enquadrar todos os índices necessários para que possamos operar normalmente” afirmou.A expectativa da direção do banco é que, após a reestruturação, a instituição volte a registrar lucro superior a R$ 1 bilhão a partir de 2028.

Governo do DF busca aprovação de empréstimo

O socorro financeiro já recebeu aval do Supremo Tribunal Federal (STF) após acordo firmado entre o Distrito Federal e a União. A governadora do DF, Celina Leão, enviou à Câmara Legislativa um projeto autorizando a contratação do empréstimo.

Como garantia da operação, o governo distrital ofereceu receitas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O acordo também prevê restrições fiscais, incluindo congelamento de reajustes salariais, realização de concursos e concessão de incentivos tributários até a regularização das contas públicas. 

Renan questiona plano e ausência do balanço

O plano de recuperação recebeu críticas de senadores durante a audiência. O presidente da CAE, Renan Calheiros, questionou a homologação do acordo sem a divulgação do balanço financeiro do BRB referente a 2025. 

“Eu não entendo como o Supremo aprova um plano sem que o BRB publique o balanço de 2025. Como se faz um plano sem premissa, sem base?” afirmou.

O balanço deveria ter sido divulgado até 31 de março, mas segue pendente.

Nelson Antônio assumiu comando do BRB após escândalo do Banco Master.Foto: Foto: Divulgação/BRB/ND Mais                                   Nelson Antônio assumiu comando do BRB após escândalo do Banco Master

Nelson de Souza também relatou os impactos pessoais da crise enfrentada pela instituição desde que assumiu a presidência do banco, em novembro de 2025, após a operação da Polícia Federal que atingiu o Banco Master e o BRB. 

Segundo ele, foram quatro internações hospitalares em apenas seis meses.

“Não é fácil. Eu não sou político. Fui contratado para salvar o BRB”disse aos senadores.

O dirigente afirmou ainda que o atraso na divulgação do balanço tem provocado uma crescente “corrida por liquidez” e admitiu que a publicação das demonstrações financeiras é hoje uma das prioridades da instituição.

Palavras-chave
hoje uma das prioridades da instituição. ​



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